Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de agosto de 2026
A decisão do novo advogado do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, Daniel Bialski, de investir em uma nova tentativa de colaboração premiada abriu um impasse na defesa do ex-banqueiro.
A estratégia defendida por Bialski contraria a linha que vinha sendo adotada pelo advogado Sérgio Leonardo, que atua no caso desde o início das investigações e defendeu, recentemente, concentrar os esforços na análise do mérito e na contestação das provas.
A divergência ocorre depois de a defesa ter decidido não insistir mais em uma delação, diante das sucessivas resistências da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República) às propostas apresentadas anteriormente.
Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, os advogados passaram então a trabalhar em uma estratégia voltada ao mérito da investigação, incluindo questionamentos sobre a cadeia de custódia dos celulares apreendidos e a possibilidade de pedir a anulação de provas.
A chegada de Bialski à equipe, no entanto, recolocou a colaboração premiada na mesa novamente.
Aliados do ex-banqueiro atribuíram a decisão ao próprio Daniel Vorcaro, que estaria convencido de que a nova defesa pode levá-lo à domiciliar.
Vorcaro estaria demonstrando irritação com o andamento do caso e protagonizado episódios de descontrole diante da falta de perspectiva sobre sua situação.
Na avaliação de interlocutores envolvidos no caso, uma nova tentativa, porém, perdeu o caráter de “espontaneidade” que poderia favorecer Vorcaro em uma negociação.
Isso porque o ex-banqueiro já apresentou propostas anteriormente, recebeu negativas das autoridades e, posteriormente, decidiu mudar sua estratégia para o enfrentamento das acusações e das provas reunidas na investigação.
PGR
Além das divergências internas, a estratégia defendida por Bialski enfrenta resistência na Procuradoria-Geral da República (PGR). Integrantes da Procuradoria têm sinalizado que não há disposição, neste momento, para aceitar uma nova proposta de colaboração de Vorcaro.
Aliados do PGR, Paulo Gonet Branco, dizem que ele trata as negociações como “encerradas”.
As tentativas anteriores não avançaram porque, na avaliação de investigadores e procuradores, Vorcaro não apresentou fatos inéditos nem elementos suficientes para corroborar as informações relatadas.
Também pesaram nas negociações questionamentos sobre a disposição do ex-banqueiro de admitir crimes e ressarcir prejuízos.
Delação
A delação premiada é um acordo firmado entre uma pessoa investigada ou acusada de um crime e as autoridades, no qual ela se compromete a fornecer informações relevantes sobre o crime, seus envolvidos ou a localização de provas, em troca de possíveis benefícios previstos em lei. Entre esses benefícios podem estar a redução da pena, o perdão judicial ou outras medidas, dependendo do caso e da colaboração prestada.
No Brasil, a colaboração premiada é regulamentada pela Lei nº 12.850/2013 e precisa ser formalizada e submetida ao controle da Justiça. A pessoa que faz a delação não recebe automaticamente o benefício: é necessário que a colaboração seja efetiva e produza resultados, e as informações fornecidas precisam ser avaliadas pelas autoridades. Além disso, a simples palavra do delator, por si só, não deve ser suficiente para fundamentar uma condenação. (Com informações da colunista Tainá Falcão, da CNN Brasil)