Domingo, 10 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de maio de 2026
A proporção de domicílios brasileiros que recebem algum programa social do governo caiu em 2025, após atingir níveis recordes nos anos anteriores. Segundo dados do IBGE, divulgados nesta sexta-feira, 22,7% dos lares do país – cerca de 18 milhões de domicílios – recebiam benefícios sociais no ano passado, abaixo dos 23,6% registrados em 2024, quando o total chegou a 18,2 milhões de lares.
A queda é explicada principalmente pela redução do número de beneficiários do Bolsa Família, que saiu de 18,6% em 2024 para 17,2% em 2025.
É o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de Rendimento de todas as fontes 2025, divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE. O levantamento é feito desde 2012.
Apesar do recuo, o percentual permanece acima do observado antes da pandemia de Covid-19, quando correspondia a 17,9% dos domicílios, em 2019. Economistas explicam que, a partir de 2020, houve uma expansão muito forte de programas sociais para atender às demandas geradas pela crise. Esse movimento continuou até 2024.
Porém, a partir de 2025, o crescimento do emprego passou a permitir que muitas famílias ampliassem a renda com acesso ao mercado de trabalho, reduzindo a dependência do Bolsa Família e se desligando do programa dentro das regras de transição previstas pelo governo.
“Com o mercado de trabalho mais aquecido aumenta a porta de saída do programa. O próprio dado do IBGE mostra que a renda média dos beneficiários do Bolsa Família é muito abaixo de um salário mínimo. Então, acho que ninguém vai optar por receber menos que um salário mínimo para não ter que trabalhar. Tendo oportunidade de trabalhar, vão preferir, para ter uma renda melhor”, avalia André Valério, economista sênior do Inter.
Além disso, as pressões fiscais levaram a uma mudança na condução do Bolsa Família. ao invés de expandir mais o programa, o governo intensificou a revisão de cadastros para identificar quem recebia o benefício sem atender aos critérios exigidos.
Por outro lado, o Benefício de Prestação Continuada (BPC-Loas), concedido a idosos com idade igual ou superior a 65 anos e pessoas com deficiência — em ambos os casos de baixa renda —, registrou avanço. A parcela de domicílios com moradores que recebiam o benefício subiu de 5% para 5,3% entre 2024 e 2025.
Segundo especialistas, esse aumento reflete o envelhecimento da população, assim como as altas taxas de informalidade do país, que fazem com que muitos trabalhadores cheguem aos 60 anos sem tempo de contribuição à previdência suficiente e acabem não tendo acesso à aposentadoria.
Peso na renda caiu
Após atingir o maior nível da série em 2024, a participação dos programas sociais do governo na composição do rendimento médio domiciliar também recuou. A fatia caiu de 3,8% para 3,5% em 2025, refletindo a queda no total de pessoas atendidas pelos programas e uma estabilidade no valor oferecido.
Os dados também mostram uma forte diferença de renda entre os domicílios que recebem Bolsa Família e os que não recebem o benefício. Em 2025, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita das famílias beneficiárias foi de R$ 774, menos de 30% dos R$ 2.682 registrados entre os domicílios sem Bolsa Família. (As informações são de O Globo)