Domingo, 12 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de julho de 2026
O Banco Central (BC) estuda impor restrições ao uso do Pix por bancos e fintechs que apresentem fragilidades em segurança cibernética. A medida ocorre após uma sequência de ataques hackers que expuseram vulnerabilidades no sistema financeiro, principalmente em instituições menores e empresas de tecnologia que fazem a conexão com a infraestrutura do Pix.
Entre as propostas em análise estão limites para valores e horários de transações, além da possibilidade de impedir o registro de novas chaves por instituições consideradas de risco. Em casos mais graves, o acesso ao sistema pode até ser suspenso. A intenção do BC é atuar de forma preventiva, com respostas mais rápidas do que as previstas hoje nos processos administrativos.
O debate ganhou força após ataques recentes que resultaram em prejuízos bilionários. Nos últimos 12 meses, desvios ligados a fraudes cibernéticas já superaram R$ 1,5 bilhão, segundo estimativas do mercado. Em geral, os criminosos não atacam diretamente os grandes bancos, mas exploram pontos mais frágeis da cadeia, como fintechs e prestadoras de serviços de tecnologia, responsáveis por conectar instituições ao sistema do BC.
Um dos episódios que mais chamou atenção foi o ataque à C&M Software, no ano passado, que desviou cerca de R$ 800 milhões e acendeu o alerta sobre riscos em empresas intermediárias. Casos como esse reforçaram a avaliação de que, embora o Pix em si seja robusto, a segurança do sistema depende também do nível de proteção adotado por todos os participantes.
Mesmo após o BC endurecer regras de segurança cibernética ao longo de 2025, o número de incidentes continuou elevado. No mês passado, uma fintech foi algo de tentativa de ataque hacker e o BC chegou a emitir um alerta aos participantes do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), informando sobre o ocorrido. Além disso, a MagaluPay, da varejista Magazine Luiza, também sofreu uma tentativa de ataque.
A proposta em discussão também prevê uma espécie de tratamento diferenciado entre instituições. Ou seja, participantes com histórico de falhas ou com controles considerados insuficientes poderiam operar sob restrições, enquanto bancos e fintechs com padrões mais elevados manteriam acesso pleno ao Pix.
Para o BC, a medida busca elevar o nível mínimo de segurança do sistema e incentivar investimentos em tecnologia e proteção digital. A avaliação é de que, sem esse tipo de pressão regulatória, parte do mercado pode continuar operando com estruturas mais vulneráveis, ampliando o risco sistêmico. Em evento promovido pela autoridade monetária, o diretor de Administração do BC, Rodrigo Teixeira, defendeu que a pauta de segurança cibernética é fundamental para a saúde do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“Infraestruturas como o Pix e o Sistema de Transferência de Reservas (STR) tornaram-se elementos cotidianos e críticos da vida econômica do país, avanço que criou inclusão, eficiência e competitividade, mas também ampliou nossa exposição a riscos”, disse.
No mesmo evento, o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, afirmou que o risco cibernético é um dos assuntos que mais engajam as equipes do BC
“A agenda normativa de cibersegurança do BC vai continuar. O que nós esperamos é que os riscos sejam muito bem mapeados e os controles implementados e testados de forma periódica, independentemente do dia, da data e do horário”, avaliou.
Em outra ocasião, durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, Aquino afirmou que ataques “tiram o sono dos membros da diretoria”.
“Eu acho que nós tivemos um aumento de incidentes cibernéticos, que demonstra que a materialização desse risco, que é um risco que tira meu sono, como diretor de fiscalização, e agora também acho que tira o sono de todos os membros da diretoria colegiada”, afirmou. (Com informações do portal Metrópoles)