Sábado, 22 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de agosto de 2026
Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, grupo da JBS, compraram 100% da participação da Avibras. Maior indústria bélica do País, a companhia está em recuperação judicial e mantém contratos com o Exército. A compra foi feita pela Globe, uma das empresas de investimentos dos irmãos Batista. Os valores não foram divulgados, e a transação depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser concluída.
“A transação tem como objetivo dar sustentação à recente retomada das operações da Avibras, preservar sua capacidade tecnológica e industrial e criar as condições necessárias para que a companhia volte a crescer de forma sustentável nos mercados brasileiro e internacional”, afirma a Globe.
Conforme o Estadão, Joesley havia assinado em abril um contrato para participar do funding da Avibras, coordenado pelo Fundo Brasil Crédito, que arrecadou R$ 300 milhões com investidores privados.
Além de ser o principal credor da empresa, em recuperação judicial desde 2022, o fundo foi o autor do plano alternativo de reestruturação da Avibras, já aprovado pela Justiça e por credores.
Ainda de acordo com o Estadão, na época, a negociação já envolvia um termo de opção de compra da Avibras pelos Batista.
Os principais contratos mantidos atualmente pela Avibras são com o Exército e com a Força Aérea. A empresa é responsável pelo sistema de foguetes balísticos Astros, a joia da coroa da artilharia do Exército, um produto vendido para quase uma dezena de países, entre eles a Indonésia e a Malásia. E que segue despertando a atenção no exterior.
Recuperação judicial
A Avibras pediu recuperação judicial em março de 2022, com dívidas de R$ 394 milhões. A empresa alegou à Justiça que havia perdido competitividade no mercado em países do Oriente Médio e no Sudeste Asiático com a ascensão de empresas fortemente financiadas por governos estrangeiros.
Em uma recuperação judicial, a empresa pede auxílio do Poder Judiciário para suspender e renegociar o pagamento de dívidas. O processo pode durar anos e é acompanhado por um administrador judicial indicado pelo juiz do caso, que nomeou a Deloitte para o posto.
Em agosto de 2024, o fundo comprou um crédito de R$ 93 milhões de uma empresa da Indonésia e se tornou o maior credor da Avibras. Sob argumento de que a indústria tinha péssima saúde financeira, propôs um plano de recuperação judicial alternativo e reestruturação da empresa.
O plano de recuperação proposto pelo fundo foi aprovado e avalizado pela Justiça paulista. Até um novo CNPJ foi criado para a Avibras, e capitalizado com R$ 2,5 bilhões da empresa em recuperação judicial, em dezembro de 2025.
Uma greve que durou 1.280 dias terminou em acordo com a empresa firmado na Justiça no dia 26 de março. A dívida trabalhista de R$ 230 milhões com 1,4 mil antigos empregados será saldada em até quatro anos.
Foi neste contexto que Joesley Batista demonstrou interesse no financiamento da empresa e assinou um contrato com o Fundo Brasil Crédito, mediante o cumprimento de algumas condições exigidas para efetivar o negócio, como a negociação das dívidas trabalhistas. O antigo dono da empresa, João Brasil, que levou a empresa à bancarrota, ficará de fora da nova Avibras.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, divulgou que foi informado, na tarde de sexta-feira (21), pelo fundo de investimentos Brasil Crédito, do negócio envolvendo a fábrica do setor de Defesa localizada em Jacareí (SP).
Em nota, o sindicato reitera que, independentemente de quem sejam os investidores ou detentores das ações da fabricante de produtos bélicos, preza pela manutenção dos empregos em Jacareí, garantia de direitos dos trabalhadores, bem como pelo cumprimento do acordo de retomada assinado entre a entidade e a Avibras Aeroco e homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região e pelo Tribunal Superior do Trabalho.
Para a entidade, é primordial que o cronograma de pagamento das dívidas trabalhistas seja cumprido, assim como seja respeitada a convenção coletiva da categoria metalúrgica. (Com informações de O Estado de S. Paulo)