Sábado, 22 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de agosto de 2026
A Polícia Federal afirma ter identificado mais diretores do Banco Regional de Brasília (BRB) envolvidos em irregularidades na compra de carteiras fraudulentas do Banco Master. Por isso, a PF pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte, a prorrogação por mais 60 dias do prazo para concluir inquérito que deve resultar no primeiro indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro por crimes financeiros.
No pedido encaminhado a Mendonça, a PF alega que precisará colher os depoimentos dos integrantes da diretoria colegiada do BRB que aprovaram as operações financeiras com o Master, por isso seria necessário mais tempo para finalizar o inquérito. A PF não citou nominalmente quem são os diretores que podem entrar na investigação. Até agora, somente o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa foi preso na Operação Compliance Zero.
O envolvimento em operações com o Master deixou um prejuízo estimado em cerca de R$ 8 bilhões para o BRB, que tenta agora obter um empréstimo de bancos privados e do Banco Central de pelo menos R$ 6,6 bilhões. Mas a operação, que envolveria também o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), está emperrada porque a instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal ainda não publicou seu balanço de 2025 – condição prévia colocada pelo mercado para a liberação de financiamento.
Em documento enviado à governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), no dia 6 de agosto, a direção do FGC afirmou que o balanço com as demonstrações financeiras de 2025 representa “documentação essencial à avaliação da situação econômico-financeira da instituição associada e, por conseguinte, à adequada apreciação do pleito formulado”.
Fatos novos
No pedido enviado ao STF, a PF afirma que os indícios sobre a participação de mais diretores do BRB nas fraudes com o Master foram obtidos por meio de novo laudo pericial que demandaria mais tempo para análise. Esse laudo, afirma a PF, “identificou elementos relacionados ao processo decisório interno da instituição financeira, apontando possíveis descumprimentos de normativos internos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco, aprovação de operações em desacordo com os procedimentos regulares de controle e a participação individualizada de integrantes da diretoria colegiada do BRB (DICOL) em deliberações relacionadas aos fatos sob investigação”.
O relatório parcial foi enviado na quinta-feira (20) ao inquérito que tramita no Supremo. “As conclusões constantes desse trabalho pericial revelaram fatos novos e permitiram a individualização da atuação de agentes que até então não figuravam formalmente entre os investigados, tornando necessária a inclusão de integrantes da DICOL no polo passivo da investigação e a realização de suas respectivas oitivas, providências essenciais para o completo esclarecimento dos fatos”, diz a PF.
Outro laudo
Um segundo laudo produzido pelos peritos também identificou falhas na governança do Banco Master durante o processo de cessão de carteiras falsas da Tirreno para o BRB, diz a PF.
“O referido laudo concluiu, em síntese, pela existência de elementos indicativos de incompatibilidade entre a estrutura operacional e econômico-financeira da empresa Tirreno e o volume bilionário das operações realizadas, pela ausência de evidências de liquidação financeira efetiva das cessões analisadas, por inconsistências documentais relevantes e pela existência, no âmbito do Banco Master, de mecanismos internos de controle, monitoramento e governança que possuíam condições de identificar as irregularidades apontadas”. (As informações são de O Estado de S. Paulo)