Quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

PIB: Brasil foi um dos poucos países com queda no 4º trimestre do ano passado

A queda do PIB brasileiro no quarto trimestre do ano passado em relação aos três meses anteriores não foi surpresa para grande parte dos analistas, mas se destacou no cenário internacional. Poucos países tiveram retração econômica nos últimos três meses de 2022.

Em uma lista de 50 países em que é possível fazer essa comparação, apenas 13
(incluindo o Brasil, de -0,2%) tiveram queda no PIB do quarto trimestre. Pesquisa com 75 instituições financeiras e consultorias indicava que a projeção mediana era de contração de 0,1% do PIB no quatro trimestre de 2022, ante o terceiro. As estimativas variavam de -0,9% a 0,6%.

Esse grupo de 50 países teve, na média, um crescimento de 0,3% no período de outubro a dezembro na comparação com os três meses imediatamente anteriores.

O melhor resultado foi registrado pela Irlanda, com alta de 3,5%. O país também teve a maior expansão em 2022 como um todo: 12,2% ante 2021.

Outros países com crescimento forte em 2022 também se destacaram entre as
maiores altas do quarto trimestres. Casos, por exemplo, de Filipinas (avanço de 2,4% ante o terceiro trimestre) e Islândia (aumento de 2,2%).

O Brasil teve o 35º maior crescimento de 2022 como um todo, em uma lista de 54 países.

Na parte inferior do ranking do quarto trimestre, uma curiosidade: a maior queda foi a Malásia, de 2,6%. O mesmo país, porém, teve a segunda maior expansão de 2022 em relação a 2021, de 8,7% – o melhor resultado para a economia malaia em 22 anos.

Outro país com bom desempenho no ano passado, com alta de 4,9%, a Polônia
encolheu 2,4% nos últimos três meses de 2022.

Entre grandes economias globais, a Alemanha, a Coreia do Sul e Taiwan ( todos com queda de 0,4%), além de Itália (contração de 0,1%), fecharam o quarto trimestre de 2022 com retração em relação ao período de julho a setembro.

Geral

Com o crescimento de 2,9% da economia em 2022, o Brasil ficou no 28º lugar num ranking preliminar que mostra o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de 47 países.

O País ficou atrás de vizinhos da América Latina como a Colômbia, país que mais cresceu no ano passado com expansão de 7,6% de sua economia, ao lado da Arábia Saudita, que também teve expansão de 7,6%. O levantamento foi feito pela agência de classificação de risco Austin Rating.

“O Brasil voltou a ocupar o lugar que sempre ocupa, no meio do ranking. E continua crescendo menos que seus pares (países emergentes) e mais próximo de países desenvolvidos, que cresceram menos. Mas o Brasil tem as necessidades e problemas de emergentes, como baixo nível de investimento, elevada carga tributária e infraestrutura precária, além dos juros altos”, diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating e autor do ranking.

Isso, segundo Agostini, provocou o baixo crescimento em 2022, e a perspectiva é ruim para 2023, quando a estimativa é de uma expansão de 1,5%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na média estimada do FMI para o crescimento entre 2023 a 2027, o Brasil deve ter expansão de 1,6%, o que o coloca na lanterna do crescimento global, que deve ficar 3,2% no período.

O grupo de países emergentes deverá ter expansão de 4% no mesmo período, enquanto os países desenvolvidos devem crescer 1,6% nos próximos cinco anos.

“Ou a gente tem planejamento de longo prazo ou vamos ficar com esse ritmo baixo de crescimento”, diz Agostini.

O ranking mostra que a média de crescimento entre as economias consideradas emergentes, em 2022, foi de 5%.

O desempenho da economia brasileira ficou abaixo de nações como Índia (crescimento de 6,8%), Filipinas (6,5%), Turquia (5%) e China (3,2%).

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