Sábado, 08 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de agosto de 2026
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nessa sexta-feira (7) em entrevista ao g1 e à GloboNews que, se eleito presidente, vai anistiar as pessoas condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O político propôs ainda criar uma polícia unificada da América do Sul para combater o crime organizado e revisar a reforma tributária.
Entre os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio Bolsonaro, que disputa também a Presidência.
Para Caiado, a anistia é “uma medida que tem o sentido de pacificar o país”.
“Isto é uma briga inútil, é uma briga que só traz desgaste. Eu tenho consciência absoluta que eu promover a anistia, este assunto sai da pauta e nós vamos viver um outro momento. Um movimento de produção, de desenvolvimento, de pautas que sejam relevantes para as pessoas”, afirmou.
— Veja os principais temas da entrevista de Caiado:
* Anistia a condenados pelo 8 de Janeiro
O candidato comparou a discussão sobre anistia de condenados pelos atos de 8 de janeiro àquela sobre a soltura do presidente Lula e à recuperação dos direitos políticos do petista em 2021.
Lula foi preso em 2018 após condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Ele ficou preso por 580 dias e foi solto em novembro de 2019. Em 2021, o STF anulou as condenações da Lava Jato contra o petista, restabeleceu seus direitos políticos e abriu caminho para que ele voltasse à disputa presidencial e se elegesse em 2022.
“Essa discussão sobre tentativa de golpe é a mesma que eu buscaria sobre soltar o Lula para ser candidato. São duas coisas. Teve uma tentativa de golpe no dia 8 de janeiro? Cada um tem o direito de pensar. E o Lula podia ser liberado e ser candidato com tantas denúncias claras?”, afirmou.
Em outro momento, Caiado disse que os dois assuntos precisam ser superados para “pacificar” o país:
“Você tem uma pauta, que é a do 8 de janeiro, e tem outra pauta que a sociedade também não aceita: que ele [Lula] foi colocado em liberdade. Esse processo no Brasil precisa ser pacificado. Senão, vai ficar todo dia um contra o outro.”
* Estados Unidos: tarifaço, nada de retaliação, terras raras e PIX
No contexto do tarifaço dos EUA contra o Brasil, Caiado foi questionado se retaliaria os Estados Unidos, caso fosse presidente. O candidato respondeu que uma medida desse tipo prejudicaria as exportações brasileiras e afastaria investimentos americanos.
“Retaliar os americanos? Acabar com o resto das exportações que nós temos e perder todos os investimentos americanos? Alguém em sã consciência falaria uma asneira dessa?”, disse.
Caiado disse que sentaria e conversaria com os EUA. Citaria, de acordo com ele, a capacidade de produção agropecuária brasileira, o poder de água doce e a presença de minerais críticos. Nesse momento, citou as reservas brasileiras de terras raras pesadas.
“Alguém tem o que eu tenho em terras raras pesadas? Alguém no mundo tem? Se eu fechar a mina de Goiás e de Minas, ninguém produz aço no mundo”, afirmou.
Questionado se oferecer as terras raras em uma negociação significaria entregar um recurso estratégico do país em troca de tarifas menores, Caiado negou e citou memorandos de entendimento firmados por Goiás com Japão e Estados Unidos.
“Você não está, de maneira nenhuma, entregando. Nós estamos entregando hoje, porque desde o Brasil Colônia saem daqui o pau-brasil e o ouro. Hoje continuam saindo o minério de ferro, o nióbio, terras raras por tonelada”, afirmou.
Segundo Caiado, a proposta seria desenvolver no Brasil a tecnologia necessária para separar os elementos químicos presentes nas terras raras, agregando valor ao minério antes de sua comercialização.
“O memorando de entendimento com os americanos diz o seguinte: ‘Olha, nós vamos, com a universidade, com o empresário, com o Estado e os empresários americanos, desenvolver a separação desses elementos químicos das terras raras pesadas’”, disse.
Questionado se aceitaria negociar o PIX com os Estados Unidos, Caiado afirmou que o sistema de pagamentos não entraria na pauta. “Não, isso não está em negociação. Isso é sentimento nacional. Não entra na pauta. Isso é uma criação brasileira”, disse. (Com informações do portal de notícias g1)