Terça-feira, 19 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de maio de 2026
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que não existe rivalidade entre o PIX, sistema de pagamentos instantâneos criado pela autoridade monetária, e os cartões de crédito. Segundo ele, o avanço da ferramenta contribuiu para ampliar a inclusão financeira no país e impulsionou o acesso da população a outros serviços bancários.
A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, em Brasília. Na avaliação de Galípolo, o PIX ajudou a inserir milhões de brasileiros no sistema financeiro formal, permitindo que pessoas antes excluídas passassem a ter relacionamento bancário e acesso a produtos como cartões de crédito, financiamentos e contas digitais.
“O PIX incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter cartão de crédito. Pessoas imaginam que tem rivalidade entre o PIX e o cartão de crédito, mas a gente observa que não, que o cartão de crédito cresceu com a bancarização”, declarou o presidente do Banco Central.
Criado em 2020, o PIX se consolidou rapidamente como o principal meio de transferência e pagamento eletrônico do país. O sistema permite operações instantâneas, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados, sem cobrança para pessoas físicas na maior parte das operações.
De acordo com dados do Banco Central, o PIX já supera modalidades tradicionais, como TED, DOC e boletos bancários, além de disputar espaço com cartões de débito em compras do dia a dia. O crescimento acelerado da ferramenta também chamou a atenção de empresas internacionais do setor financeiro e de autoridades estrangeiras.
Em julho de 2025, o sistema brasileiro entrou na mira do governo dos Estados Unidos durante uma investigação comercial aberta pela gestão do então presidente Donald Trump. O procedimento analisava possíveis práticas consideradas desleais no mercado de pagamentos eletrônicos.
Um relatório divulgado pela Casa Branca em abril deste ano voltou a citar o PIX como um modelo que poderia prejudicar grandes empresas americanas do setor de cartões de crédito, como Visa e Mastercard.
“O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do PIX é obrigatório para instituições com mais de 500 mil contas”, afirmou o documento do governo norte-americano.
Apesar das críticas, integrantes do governo brasileiro e especialistas em sistema financeiro argumentam que o PIX opera em ambiente aberto e que a adesão ao sistema ampliou a concorrência no setor bancário. O Banco Central também sustenta que a plataforma foi criada para reduzir custos de transações financeiras e aumentar a eficiência do mercado.
No documento que oficializou a investigação comercial, o governo dos Estados Unidos não mencionou diretamente o PIX, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo plataformas desenvolvidas pelo Estado brasileiro.
“O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, afirmou, à época, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA.
Durante a audiência no Senado, Galípolo também destacou que o Banco Central pretende continuar ampliando as funcionalidades do PIX. Entre os projetos em desenvolvimento estão novas modalidades de crédito, pagamentos automáticos e ferramentas voltadas ao comércio eletrônico, com o objetivo de tornar o sistema ainda mais integrado à rotina financeira dos brasileiros.