Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de agosto de 2026
Abelardo De La Espriella construiu sua carreira em Miami atuando na defesa de acusados em casos de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Advogado licenciado na Colômbia, ele transitava no universo de profissionais especializados em representar traficantes latino-americanos e outros réus que buscavam reduzir penas ou firmar acordos de colaboração com a Justiça dos Estados Unidos.
Durante esse período, viajava com frequência à Colômbia para se reunir com clientes envolvidos em processos nos EUA, entre eles Alex Saab, empresário acusado de lavar milhões de dólares em benefício da cúpula do regime chavista da Venezuela.
Segundo cinco pessoas com conhecimento da investigação, De La Espriella também foi alvo de escrutínio de procuradores federais durante as apurações sobre o esquema de lavagem de dinheiro ligado a Saab.
Sem experiência política anterior, De La Espriella foi eleito presidente da Colômbia em junho e toma posse nesta sexta-feira (7), em Cali. A escolha da cidade rompe a tradição de realizar a cerimônia de posse na capital, Bogotá.
Após retornar à Colômbia no ano passado, ele reformulou sua imagem pública e lançou uma candidatura com discurso de linha-dura na segurança. Durante a campanha, prometeu combater o narcotráfico, enfrentar grupos armados e retirar a esquerda do poder. Também recebeu o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar do passado como advogado de clientes investigados por tráfico e lavagem de dinheiro, De La Espriella afirma que pretende colaborar com o governo norte-americano no combate ao narcotráfico. Entre as propostas apresentadas estão o reforço das extradições de traficantes, ataques contra embarcações utilizadas no transporte de drogas e ações mais rigorosas contra organizações criminosas.
Passado sob investigação
Em resposta a questionamentos sobre sua atuação profissional em Miami, a Presidência da Colômbia informou, por meio de nota, que os temas “foram amplamente discutidos durante a campanha presidencial” e que não considera apropriado retomá-los.
Com Alex Saab ainda sob custódia das autoridades norte-americanas, aguardando julgamento por acusações de atuar como operador financeiro do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, o histórico profissional de De La Espriella voltou a chamar atenção.
De acordo com o The New York Times, procuradores federais da Flórida e de Nova York investigaram a circulação de recursos atribuídos a Saab pelo sistema financeiro dos Estados Unidos. Segundo cinco fontes ouvidas pelo jornal, De La Espriella esteve entre as pessoas submetidas a escrutínio durante as investigações.
O alcance dessa apuração, no entanto, nunca foi esclarecido. Um ex-funcionário do escritório de De La Espriella, que havia sido condenado anteriormente por envolvimento com o narcotráfico, confessou participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado às contas internacionais de Saab por volta de 2017.
Documentos judiciais apontam que parte desses recursos era utilizada para pagar honorários advocatícios de Saab. Os autos, porém, não identificam os advogados beneficiados nem apresentam qualquer indício de que eles tenham participado do esquema de lavagem de dinheiro.
De La Espriella nunca foi denunciado ou acusado pelas autoridades norte-americanas. Em nota, seu gabinete afirmou que “o presidente nunca foi investigado ou acusado em nenhum dos assuntos mencionados” e acrescentou que “sua conduta como advogado e como cidadão sempre foi absolutamente impecável”.