Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de junho de 2026

O Projeto Natureza da CMPC, considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, segue em meio a um impasse jurídico e ambiental que pode definir o futuro da economia gaúcha. A nova planta de celulose em Barra do Ribeiro, com aporte estimado em R$ 27 bilhões, capacidade de produção de até 3 milhões de toneladas anuais e previsão de 6 mil empregos diretos, tornou-se símbolo da disputa entre desenvolvimento e exigências regulatórias.
O Ministério Público Federal questiona se houve consulta adequada às comunidades indígenas potencialmente afetadas, recomendando a suspensão do licenciamento até que sejam aprofundados estudos e diálogos. Para a CMPC, o pedido é inédito e inexequível, extrapolando atribuições e trazendo insegurança jurídica que pode travar investimentos em todo o país. O diretor-geral da empresa no Brasil, Antonio Lacerda, afirma que todas as exigências da Fepam estão sendo cumpridas e que a expectativa é pela emissão da licença prévia ainda no início de agosto.
O tema foi debatido na reunião-almoço Tá na Mesa da Federasul, que reuniu empresários e lideranças políticas. O presidente da entidade, Rodrigo Sousa Costa, lamentou que o Estado, em processo de reconstrução após eventos climáticos extremos, continue refém de “beligerâncias ideológicas” que afastam investidores e comprometem oportunidades bilionárias. Para ele, perder a nova fábrica da CMPC seria tão grave quanto a saída da Ford, deixando o Rio Grande do Sul sem condições de convencer futuros empreendedores.
O vice-presidente de Economia da Federasul, Fernando Marchet, reforçou que empreendimentos dessa magnitude têm efeito multiplicador. Citou exemplos como a General Motors em Gravataí, o polo metalmecânico de Caxias do Sul e o setor de máquinas agrícolas no norte do Estado. “O investimento produtivo é motor de transformação capaz de reconfigurar permanentemente a dinâmica econômica de uma região”, destacou.
Além da fábrica, o projeto prevê um novo terminal portuário em Rio Grande, com investimento de R$ 1,5 bilhão, já com concessão assinada, para escoar a produção. A CMPC afirma ter investido até agora cerca de US$ 400 milhões em estudos e preparativos, e garante não ter planos de deixar o Rio Grande do Sul.
O impasse, agora em análise na Justiça Federal, pode ter encaminhamento em audiência de conciliação. Caso seja superado, o empreendimento deve entrar em operação no segundo semestre de 2029, consolidando o Estado como protagonista mundial na produção de celulose. (por Gisele Flores)