Domingo, 02 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de agosto de 2026
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que está “tranquilo” e disse ter certeza de que conseguirá provar sua inocência nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça relacionado ao Banco Master. A declaração foi dada um dia após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirar o sigilo da decisão que autorizou medidas de investigação contra o parlamentar.
Em entrevista concedida à Rádio Baiana FM, Wagner comentou pela primeira vez a decisão tornada pública pelo Supremo e afirmou que acompanha o andamento do caso com serenidade. Segundo o senador, o inquérito seguirá seu curso normal e ele pretende colaborar com as investigações para esclarecer os fatos. Apesar da repercussão do caso, o petista afirmou que permanece concentrado na campanha pela reeleição ao Senado e disse que não pretende permitir que as investigações desviem sua atenção da disputa eleitoral.
“Eu tenho certeza de que vou provar a minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição. Quero lhe dizer que eu estou muito tranquilo, como diz o presidente Lula, só quem sabe o que você fez é você mesmo. Eu sei o que eu fiz, eu estou tranquilo”, afirmou.
Na última quinta-feira (30), Mendonça retirou o sigilo da decisão que autorizou, em junho, a 9ª fase da Operação Compliance Zero. Com isso, vieram a público os fundamentos da medida que autorizou a Polícia Federal a acessar dados armazenados nos celulares de Wagner e do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A autorização faz parte do conjunto de diligências consideradas necessárias pelos investigadores para aprofundar a apuração dos fatos.
Segundo a decisão, a PF sustentou que as conversas entre Wagner e integrantes do núcleo investigado ocorriam, em sua maioria, por ligações telefônicas e mensagens de áudio, o que justificaria o acesso aos aparelhos para aprofundar as investigações. Os investigadores também alegaram risco de vazamento da operação, citando que um dos alvos procurou o gabinete do ministro no mesmo dia em que foram apresentados os pedidos de medidas cautelares.
A investigação apura suspeitas de que Wagner teria atuado em defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional em troca de vantagens indevidas. Entre os benefícios que estariam sendo investigados estão um apartamento de luxo em Salvador e repasses financeiros a empresas ligadas a familiares do senador. A defesa de Wagner, no entanto, nega todas as acusações, afirma que ele jamais atuou em favor da instituição financeira e sustenta que o imóvel citado pelos investigadores nunca integrou seu patrimônio. O caso continua em fase de investigação e ainda não há conclusão sobre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal. (Com informações do jornal O Globo)