Domingo, 02 de agosto de 2026

Candidato a presidente da República, Renan Santos ataca Flávio Bolsonaro em evento do partido Missão e defende “matar quem roubar”

O empresário paulista Renan Santos foi apresentado pelo partido Missão, nesse fim de semana, como candidato à Presidência da República, em evento marcado por ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e principalmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL), chamando ambos de “vagabundos” e dizendo que os rivais “têm que ir para a lata de lixo da História”.

Com 3% das intenções de voto em pesquisa do Instituto Datafolha no mês passado, ele adotou xingamentos com discurso radical de direita, dizendo que “nós vamos matar quem roubar”. Também disse que não representa uma terceira via, chamou Flávio de “farsante, fraco e corrompido”, mencionou “ratos que se vestem de verde e amarelo” e se referiu a Lula como “maldito”.

O Missão foi criado em 2025 por membros ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre) e já havia realizado convenção de forma antecipada no dia 20, a fim de garantir proteção da Polícia Federal (PF) após Renan supostamente ter recebido ameaças de duas facções criminosas do Ceará. O encontro desse fim de semana foi simbólico, em São Paulo, com apresentação de programa de governo em seu primeiro congresso nacional.

Em um evento marcado por atraso de cerca de 30 minutos decorrente de protocolos de segurança, plateia predominantemente mais jovem e apoiadores vestindo camisetas com a frase “prendeu, matou”, a legenda buscou se consolidar como uma alternativa de direita à polarização política, combinando propostas de ajuste fiscal rigoroso com um “choque de lei e ordem” contra o crime organizado.

Realizado no Komplexo Tempo, no bairro da Mooca, o encontro teve discurso de Renan e apresentação do vice da chapa, tenente-coronel da reserva gaúcho Aroldo Medina (ex-integrante da Brigada Militar), a indicação de nomes para governos estaduais e um painel sobre desfavelização.

O partido vendeu ingressos em categorias variadas, desde a entrada básica de R$ 94 até o ingresso “Onça”, de R$ 7.014, que incluía almoço com lideranças, foto com a cúpula e um item colecionável assinado pelo candidato.

Além da bilheteria, o Missão foca em doações individuais de apoiadores. Renan Santos lidera a arrecadação na plataforma de financiamento da legenda, com R$ 898,4 mil recebidos de 15,6 mil doadores. Kim Kataguiri, principal liderança política do grupo, aparece com R$ 138,6 mil, seguido por Renato Battista (R$ 45,7 mil), Victor Antoun (R$ 31,6 mil) e Ana Hering (R$ 31,5 mil).

“Livro Amarelo”

Durante o congresso, o partido apresentou o “Livro Amarelo”, documento de mais de 500 páginas que reúne o programa de governo para 2026, dividido nas seções “Estado Novo”, “Reformas de Base” e “País do Futuro”. A estruturação do material contou com o apoio de Orlando Lima, que também deverá auxiliar na criação do futuro Instituto do Livro Amarelo.

Segundo os organizadores, a obra demandou mais de dois anos de pesquisas e teve a colaboração de reitores e professores universitários, que apoiaram o projeto de forma anônima. Na área econômica, o documento defende um ajuste fiscal classificado como um “remédio amargo”.

As propostas incluem uma PEC de transição para desindexar benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo e a desvinculação dos pisos constitucionais de saúde e educação, estimando uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.  (com informações da Folha de S.Paulo)

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