Sexta-feira, 07 de agosto de 2026

Só Lula não terá chapa puro-sangue entre os principais concorrentes à Presidência da República

Os principais candidatos à Presidência da República em oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conseguiram fechar apoios de outros partidos e, por isso, disputarão a eleição com candidatos a vice oriundos de suas próprias legendas. A formação de chapas sem alianças entre diferentes siglas marca a reta final das definições para o pleito e evidencia um cenário de fragmentação política entre os partidos que optaram por lançar candidatura própria.

O quadro foi consolidado na quarta-feira (5), com o anúncio de que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) será o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL). A definição encerrou um período de negociações em busca de apoios partidários que não avançaram.

Antes da confirmação da chapa de Flávio Bolsonaro, outros candidatos já haviam oficializado composições formadas exclusivamente por integrantes de suas próprias legendas. Ronaldo Caiado (PSD) terá como vice o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Romeu Zema (Novo) disputará a eleição ao lado do senador Eduardo Girão, enquanto Renan Santos (Missão) escolheu Aroldo Medina para compor a chapa presidencial.

O escritor Augusto Cury, candidato pelo Avante, segue como o único entre os principais concorrentes que ainda não anunciou oficialmente quem ocupará a vaga de vice-presidente. No entanto, com União Brasil, PP, Republicanos, MDB, Podemos e PSDB optando pela neutralidade na disputa presidencial, o universo de possíveis aliados foi reduzido, limitando as alternativas para a composição da chapa.

Do outro lado da disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia consolidado, há meses, o apoio dos principais partidos de esquerda à sua candidatura à reeleição, incluindo PSB, PCdoB, PSOL, Rede e PV. Apesar disso, o petista também não conseguiu ampliar sua coligação para além das legendas tradicionalmente alinhadas ao seu campo político, repetindo um movimento semelhante ao observado entre os candidatos da oposição.

A configuração das chapas presidenciais neste ano reflete mudanças no ambiente político e na relação entre os partidos. Segundo especialistas, a crescente influência do Congresso Nacional sobre a execução do Orçamento, especialmente por meio das emendas parlamentares, reduziu o peso que a participação em uma coligação presidencial costumava ter para partidos de menor porte. Em eleições anteriores, essas siglas frequentemente buscavam integrar alianças em troca de espaço em um eventual governo, como ministérios e outros cargos na administração federal. Com maior autonomia na destinação de recursos orçamentários, esse incentivo perdeu força.

Além desse fator, analistas apontam que a indefinição em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro durante parte do processo eleitoral e a percepção de que poderiam surgir novos desdobramentos relacionados ao caso do Banco Master também contribuíram para dificultar a formação de alianças mais amplas. Soma-se a isso o desempenho limitado das demais candidaturas nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento da Quaest divulgado na quarta-feira mostra que, somados, todos os candidatos além de Lula e Flávio Bolsonaro alcançam 13% das intenções de voto. Individualmente, nenhum deles registra percentual superior a dois dígitos, cenário que também reduz o interesse de partidos em aderir a essas campanhas. (Com informações do portal da revista Veja)

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Tempo de rádio e TV, verba e palanques: o peso das alianças para Lula e Flávio Bolsonaro
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