Segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

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Suor e adrenalina: o estresse advindo dos exercícios físicos pode ser benéfico

Não há dúvida de que o exercício é bom para o coração e para a saúde mental. Ou que atividades calmantes como ioga ou tai chi podem ajudá-lo a se sentir revigorado e recarregado. Mas e as atividades menos calmas? Tipo o parkour, pulando de um telhado para o outro, ou arremessar uma bola de tênis com força pela quadra… Será que são boas para a mente?

Os psicólogos tradicionais podem dizer não, porque qualquer coisa que aumente os hormônios do estresse, seja por meio do medo ou da agressão, não é bom para a saúde mental. Alguns estudos reforçam essa crença: um sugeriu que a “natureza competitiva” do raquetebol é menos relaxante do que o treinamento com pesos ou em circuito, enquanto outro descobriu que adicionar estresse a um treino de ciclismo prejudica a função imunológica. E certamente este ano olímpico nos mostrou os perigos de estressar demais os atletas de elite dentro e fora do campo.

Mas isso não significa que emoções como estresse ou agressão não tenham lugar no exercício. Quase qualquer atleta apaixonado dirá que seu esporte é tanto um escape para a saúde mental quanto uma preparação física. Você precisa que limpar sua cabeça, colocar o cérebro pra funcionar e desopilar. Para alguns, essas emoções aparentemente negativas durante o exercício são até a principal razão para treinar.

Sentir medo é uma boa habilidade para a vida

Pode parecer estranho que a melhor maneira de lidar com o estresse seja basicamente inundar nosso cérebro com ele. Esportes com adrenalina também são populares entre os veteranos de guerra que lidam com o transtorno de estresse pós-traumático. Cientistas alemães chegaram a fazer experiências com escalada como forma de terapia para a depressão. Os resultados foram moderadamente bons, mas apenas o fato de os cientistas escolherem a escalada sugere algum benefício emocional para o medo. Por mais estranho que possa parecer, o medo pode ser profundamente terapêutico.

Omer Mei Dan, cirurgião ortopédico, pesquisador e ex-saltador profissional de base jump, e Erik Monasterio, psicólogo da Universidade de Otago na Nova Zelândia e montanhista experiente, tentaram por anos entender qual o papel desempenhado pela personalidade de atletas de elite de esportes extremos ao escolherem arriscar suas vidas e depois processar essas experiências. Eles descobriram que as pessoas que escalam ou pulam de pedras profissionalmente têm uma pontuação alta na necessidade de buscar coisas novas e uma preocupação “patologicamente” baixa em se machucar.

Monasterio e Mei Dan chegaram a sugerir que esses traços de personalidade conferem alguma forma de resistência ao trauma psicológico.

Para alguns, eles disseram, pode ser que sentir medo e estresse ao voar de um halfpipe com seu skate ou pular de um avião treine seu cérebro para lidar com essas emoções em outras partes da sua vida.

Libere a tensão

Os psicólogos uma vez descreveram a psiquê humana como um cano ou uma mangueira que volta e meia se enche de emoção, obrigando as pessoas a liberarem a pressão para se manterem saudáveis. A “teoria da catarse”, como era conhecida, dizia que se você está com raiva, deve sair e martelar alguns pregos.

Essa noção não se sustentou bem, em parte porque os pesquisadores descobriram que, quando pessoas zangadas vão espairecer martelando pregos, elas costumam voltar com a mesma raiva (ou piores) do que antes. E, no entanto, a catarse é real: quando você chora bem em um filme triste ou mesmo uma noite comendo os tacos mais picantes que você pode aguentar. O choro, em especial, pode nos ajudar a processar emoções e liberar a ansiedade, disse Lauren M. Bylsma, especialista em emoções da Universidade de Pittsburgh. E é por isso que os atletas podem se sentir bem após um jogo competitivo ou uma corrida de esqui assustadora.

Descansando e digerindo

O fio mais importante que liga emoções intensas ao exercício pode ser menos a psicologia e mais biologia. Tanto o medo quanto a agressão acionam o sistema nervoso simpático, a chamada resposta de luta ou fuga.

Ao fazer isso, eles podem desencadear o sistema nervoso parassimpático, que é vagamente chamado de “descanso e digestão”. As respostas simpáticas são definidas por cortisol alto, pressão alta e frequência cardíaca, suor e pupilas dilatadas. Por outro lado, as reações parassimpáticas desencadeiam baixa pressão arterial e frequência cardíaca, aumento do metabolismo e, mais importante, uma descarga de cortisol no sistema. É a calma profunda, quase espiritual, que vem depois da tempestade.

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