Domingo, 19 de julho de 2026

Tarifaço:  Já há discussões no empresariado sobre quais empresas poderiam migrar para o Paraguai para driblar a sobretaxa no Brasil

As tratativas entre o Itamaraty e o governo dos Estados Unidos sobre o tarifaço que entra em vigor na semana que vem estão suspensas. Por ora, não há canal aberto por parte das autoridades brasileiras para tentar novas exceções ou a reversão da medida até a próxima semana, quando começa, no dia 22, a sobretaxa americana a produtos do Brasil.

​Segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a tarefa agora é analisar detidamente o teor e os impactos da medida, além das estimativas iniciais. Não há um prazo para essa conclusão e os novos passos dependem da análise em si.

Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, empresários brasileiros de setores atingidos reclamaram da postura do governo. A conclusão é de que houve “ganho político” para Lula e Donald Trump, com seus respectivos eleitores, mas “perda irreparável” nas relações bilaterais. Trump tem mais dois anos de gestão, e o próximo eleito no Brasil terá de lidar com o impacto do tarifaço atual.

Já há, inclusive, discussões no empresariado, por exemplo, sobre que empresas poderiam migrar para o Paraguai para driblar a sobretaxa no Brasil.

Negociações pausadas

​Desde o começo da semana, quando o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa, e negociadores do MRE tiveram uma videoconferência com Jamieson Greer, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), não há mais relato de novas conversas formais da parte de integrantes da diplomacia brasileira.

​Esse freio momentâneo é considerado natural internamente, com o argumento de que a medida confirmada pelo governo Donald Trump não tem nem 48 horas.

​A escalada protecionista foi oficializada pelo USTR, comandado por Jamieson Greer, no dia 15. O governo americano confirmou a aplicação de uma sobretaxa linear de 25% sobre os produtos importados do Brasil, com algumas exceções.

Mercado paraguaio

Atualmente, há pelo menos 179 empresas de capital brasileiro atuando no Paraguai sob esse regime, das quais 47 se instalaram no país vizinho nos últimos cinco anos.

Conforme explicou Sergio Firpo, professor do Insper, “essas empresas não estão indo para o Paraguai necessariamente para vender produtos para os paraguaios. Na verdade, elas estão indo para o Paraguai para vender produtos para o Brasil. Esse regime especial é como se fosse uma zona franca, só que sediada num país vizinho”.

Um advogado que atende empresas brasileiras instaladas no Paraguai afirmou que a rentabilidade das operações no país “em determinados casos assusta”, devido aos ganhos tributários, de encargos trabalhistas e de horas trabalhadas. No Paraguai, a jornada de trabalho é de até 48 horas semanais, quatro a mais que no Brasil.

A Karsten, indústria de Santa Catarina fabricante de artigos de cama, mesa e banho, é uma das marcas nacionais que iniciaram operações no Paraguai. Com três plantas no Vale do Itajaí, a empresa abriu em maio deste ano uma instalação em um município próximo a Ciudad del Este. (As informações são da CNN Brasil e O Estado de S. Paulo)

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