Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de setembro de 2026
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), comentou nessa terça-feira (15) decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, depois submetida à Segunda Turma.
“Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF”, disse Fux.
Em concordância com o colega, o ministro André Mendonça, que falava fora do microfone, afirmou: “Temos hoje uma PF paralela”.
O julgamento virtual da Segunda Turma já conta com maioria de votos para referendar o afastamento. No entanto, a conclusão da sessão foi interrompida após um pedido de vista apresentado pelo ministro Gilmar Mendes.
Situação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, será definida pelo presidente do STF, Edson Fachin.
“A Segunda Turma percebeu uma série de desvios de finalidade na atuação do diretor-geral da PF. Naquela oportunidade verificou-se que – nós temos a maior admiração pela Polícia Federal. A Polícia Federal sempre trabalhou em prol do Poder Judiciário. O que não pode é a PF trabalhar contra o Poder Judiciário; instrumentalizar pessoas para sustentarem posições contra o Poder Judiciário”, disse o ministro.
Entenda a crise
A crise que resultou no afastamento da cúpula da PF escalou após André Mendonça retirar o sigilo de relatório da PF, produzido a pedido do ministro, com mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Os diálogos faziam menção direta ao nome “Andrei” — identificado pela própria coporação como o diretor-geral, Andrei Rodrigues.
A situação atingiu novo patamar depois que o ministro Alexandre de Moraes decidiu retirar o sigilo de seis “relatórios de inteligência” produzidos de forma oculta pela PF ao longo do mês de agosto.
Os documentos trouxeram apontamentos sobre a atuação de André Mendonça nos casos Master e do INSS e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A sessão
O STF (Supremo Tribunal Federal) realizou nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) sobre mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Na primeira parte da sessão, o ministro Gilmar Mendes pediu uma questão de ordem que incluía, entre outros pontos, solicitação pela análise conjunta dos casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes votaram a favor da questão de ordem. O voto dos ministros divergiu de Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, que defenderam manter a análise separada dos dois casos.
Apesar de ter votado a favor da questão de ordem, o voto de Dino não foi contabilizado no placar final pelo presidente da Corte Edson Fachin devido ao pedido de vista.
Ao fim da votação, pouco antes do encerramento, Fux disse a Fachin para que incluísse o voto de Dino. O presidente da Corte perguntou ao ministro se gostaria de ter contabilizado um voto acompanhando, que respondeu que não. Com informações dos portais G1 e CNN.