Sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

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Trabalhadores da saúde estão dispostos a perder o emprego para não se vacinar contra o coronavírus nos Estados Unidos

Eles são minoria, mas a sua reivindicação pode ter peso determinante na direção da política de vacinação contra o coronavírus nos Estados Unidos.

Dezenas de milhares de profissionais de saúde no Estado de Nova York correm o risco de perder seus empregos, já que o prazo estabelecido pelas autoridades estaduais para receber pelo menos uma dose da vacina contra covid-19 expirou nesta semana.

Nova York tem uma das regras de vacinação mais rígidas dos EUA. A obrigatoriedade da vacina não abre exceções nem para quem não deseja a injeção por motivos religiosos, algo que já foi contestado na Justiça.

Cerca de 70 mil dos 450 mil funcionários de hospitais em Nova York seguiam sem vacina até a semana passada, de acordo com dados publicados pela imprensa local.

Esse dado revela que o percentual de não-vacinados caiu nove pontos percentuais (de 25% para 16%) desde o último dia 16 de agosto, quando o então governador André Cuomo estabeleceu a vacinação obrigatória como condição para trabalhadores de saúde manterem seus empregos.

Ao fazer isso, Cuomo argumentou que a mudança era necessária para lidar com a expansão do coronavírus impulsionada pela variante delta.

“Nossos heróis do setor de saúde lideraram a batalha contra o vírus e agora precisamos deles para liderar a batalha entre a variante e a vacina”, disse Cuomo, que também incentivou a vacinação obrigatória de professores e estimulou empresas privadas a estabelecerem a vacinação como requisito para admitir clientes nas suas instalações.

Esta política foi mantida pela nova governadora de Nova York, Kathy C. Hochul, que afirmou na última sexta-feira (24) que poderia contratar trabalhadores temporários das Filipinas ou da Irlanda para preencher as vagas deixadas por trabalhadores não-vacinados.

Hochul também disse que poderá vir a declarar estado de emergência para enfrentar os problemas de falta de pessoal devido à demissão em massa de trabalhadores não-vacinados.

Motivações

Com mais de 42 milhões de casos confirmados e mais de 687 mil mortes desde o início da pandemia, os EUA vivem uma situação paradoxal em relação ao coronavírus.

Ao contrário do que acontece na maior parte do mundo, o que atrapalha o processo de vacinação nos EUA não é a falta de doses, mas a relutância de parte da população em se vacinar.

Até segunda-feira (27), 66,6% dos americanos com mais de 18 anos estavam totalmente vacinados e 77,1% haviam recebido pelo menos uma dose, de acordo com o CDC.

A taxa diária de vacinados caiu de uma média de 3,35 milhões de doses administradas em meados de abril para cerca de 703 mil na semana passada.

Essa diminuição não se deve à falta de vacinas ou de pessoal médico, mas à relutância de parte da população em ser vacinada.

As razões pelas quais os americanos não querem receber a injeção contra covid-19 parecem estar relacionadas principalmente à desconfiança que sentem sobre a vacina ou sobre as autoridades de saúde.

Uma pesquisa de agosto do Pew Center descobriu que quase 9 em cada 10 entrevistados que não foram vacinados concordaram com a ideia de que “há pressão demais sobre os americanos para serem vacinados”.

Enquanto isso, 8 em cada 10 disseram concordar com as frases “não sabemos ainda se existem riscos graves para a saúde com as vacinas covid-19” e “as autoridades de saúde pública não estão nos dizendo tudo o que sabem sobre as vacinas contra covid-19”.

Da mesma forma, três em cada quatro não-vacinados fizeram uma avaliação negativa das mudanças que ocorreram em relação às normas para enfrentar a pandemia, o que os fez questionar se os altos funcionários da saúde estão escondendo algo (78%) e os fez confiar menos em suas recomendações (75%).

Apesar de suas dúvidas, os ensaios clínicos e o acompanhamento das vacinas até o momento indicam que elas são seguras e altamente eficazes na prevenção de doenças graves e morte, como tem sido repetidamente apontado por autoridades de saúde e especialistas em saúde de todo o mundo.

Diferentes pesquisas realizadas nos últimos meses estimam que a porcentagem de americanos que não foram vacinados e que não planejam fazê-lo varia entre 14% e 26%.

Um estudo da Fundação Kaiser indica que 14% dos americanos afirmam que nunca serão vacinados, enquanto 3% afirmam que só o farão se for necessário por motivos de trabalho, educação ou outros.

Nesse contexto, o fato de cerca de 15% dos trabalhadores de hospitais no Estado de Nova York não quererem se vacinar não parece estar longe do cenário que existe no restante do país.

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