Domingo, 02 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de agosto de 2026
A Uefa não confia mais em Infantino como presidente da Fifa. Horas depois do gestor desistir da ideia criar um empresa e vender ações para investidores, a organização europeia disse que o plano foi feito de maneira “sórdida” e sem transparência. Ela também garante que vai se reunir com suas federações para impedir que casos como esse se repitam. As federações de Inglaterra, Noruega e País de Gales apoiaram publicamente a Uefa e pediram a revisão da liderança da Fifa.
“É correto que, nos próximos dias e semanas, a Uefa trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não volte a ocorrer. Essa análise deve ser minuciosa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”, diz a declaração da Uefa.
Infantino anunciou a desistência da proposta na noite de sexta, três dias depois dela ser revelada. Em nota publicada pela Fifa, Gianni disse que o projeto “criou divisões” e “não atende mais ao interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar”.
A ideia era criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.
“Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das associações-membro da FIFA para elegê-lo presidente em 2016, ele disse: ‘É claro que temos de ser transparentes. Tenho sido assim nos últimos 15 anos da minha vida na Uefa. Vocês terão de participar diariamente da vida da Fifa’, antes de dizer aos representantes presentes: ‘O dinheiro da Fifa é o dinheiro de vocês. Não é o dinheiro do presidente. Vocês são as associações nacionais, e o dinheiro da FIFA deve servir para o desenvolvimento do futebol, e não para qualquer outra coisa’”.
“Ele não cumpriu nenhuma dessas duas promessas. O acordo sórdido, obscuro e de bastidores que ele arquitetou e tentou impor à força foi tudo, menos transparente”, declarou a Uefa.
A oposição de Uefa, Concacaf e AFC foi a principal ameaça ao projeto, já que as três entidades representam ampla maioria, com 143 dos 211 membros da Fifa. As confederações da África, da Oceania e da América do Sul não adotaram uma posição oficial sobre a ideia de Infantino, porém convocaram reuniões extraordinárias com seus filiados.