Domingo, 02 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de agosto de 2026
Uma pulseira inteligente capaz de monitorar continuamente o fluxo sanguíneo conseguiu identificar 92% dos casos de parada cardíaca em um estudo realizado na Holanda. Os resultados foram publicados na revista “Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology” e a expectativa dos pesquisadores é de que, no futuro, a tecnologia possa contribuir para reduzir o tempo de resposta em atendimentos de emergência fora do hospital.
A pesquisa envolveu 49 adultos com arritmia cardíaca submetidos a procedimentos médicos nos quais ritmos potencialmente fatais foram induzidos de forma controlada. Ao todo, foram analisados 59 episódios de parada cardíaca com ritmo passível de desfibrilação.
Conforme os pesquisadores, a pulseira detectou 90% dos episódios de taquicardia ventricular sem pulso e todos os episódios de fibrilação ventricular, que é considerada a arritmia cardíaca mais grave e pode levar à morte súbita.
Como funciona
O dispositivo utiliza a fotopletismografia, técnica não invasiva que emprega sensores de luz para medir alterações na circulação sanguínea. Com essas informações, um algoritmo analisa os sinais em tempo real e identifica quando o coração deixa de bombear sangue de forma eficaz.
Embora relógios inteligentes já utilizem sensores semelhantes para acompanhar indicadores de saúde, eles não foram desenvolvidos para reconhecer paradas cardíacas. O algoritmo avaliado no estudo foi criado especificamente para essa finalidade.
Ainda de acordo com os pesquisadores, trata-se da primeira validação externa de um algoritmo desse tipo com dados de pacientes e, como a pesquisa foi conduzida em ambiente clínico controlado, serão necessários novos estudos para confirmar seu desempenho em condições reais.
Em uma futura aplicação, o sistema poderá enviar um alerta aos serviços de emergência e a socorristas voluntários assim que detectar uma parada cardíaca. A expectativa dos cientistas é encurtar o intervalo entre a ocorrência e o início do atendimento, fator decisivo para aumentar as chances de sobrevivência.
Em nota, a cardiologista Judith Bonnes, do Radboud University Medical Center, na Holanda, principal autora do estudo, destacou que a ferramenta pode ser especialmente útil porque muitas paradas cardíacas acontecem sem testemunhas: “Uma pulseira capaz de detectar automaticamente a parada cardíaca e acionar um alerta pode funcionar como uma testemunha digital”.
Ela ressalta que a notificação imediata às equipes de emergência ou a pessoas treinadas para prestar os primeiros socorros pode acelerar o atendimento. Com isso, amplia as chances de se melhorar significativamente o prognóstico dos pacientes. (com informações do jornal “O Estado de S. Paulo”)