Sexta-feira, 24 de abril de 2026

Venda da Braskem é adiada: Preço não agrada e nova oferta de ações deve ficar para 2023 em razão do calendário eleitoral

As ações ordinárias (com voto) da Braskem lideraram as altas do Ibovespa, índice de referência dos investidores, no pregão de sexta-feira (28). Os papéis subiram 5,9%, negociados a R$ 48,50, após atingirem na máxima os R$ 50. A escalada dos papéis ocorreu após fracassar, na véspera, a tentativa de suas acionistas Petrobras e Novonor (ex-Odebrecht) e reduzirem sua participação na companhia.

As empresas decidiram adiar a oferta na quinta-feira, em razão da demanda dos investidores aquém das expectativas. A demanda pelos papéis resultaria em uma venda a R$ 40, o que significaria um desconto de 14% em relação ao pregão do dia anterior. As empresas almejavam levantar R$ 8 bilhões com a operação. Com o desconto, haveria perda de quase R$ 1 bilhão.

Para o chefe de Renda Variável da Renova Invest, Rodrigo Friedrich, a demanda abaixo das expectativas foi um reflexo da percepção do mercado de que tanto a Petrobras quanto a Novonor queriam se desfazer das ações com agilidade.

A venda da petroquímica faz parte do plano de desinvestimento da Petrobras e dos esforços para se concentrar em sua área principal de negócios. A Novonor busca se desfazer dos papéis para pagar credores como parte da reestruturação.

“O mercado percebeu que a Petrobras e a Novonor estavam dispostos a vender as ações, mas fizeram uma oferta em um espaço muito curto. O mercado sentiu que esses investidores grandes estavam querendo se desfazer logo das ações. Então jogaram o preço da ação para baixo para comprar mais barato na oferta e pegar com desconto.”

Em comunicado, a Petrobras informou que cancelou a oferta “em decorrência da instabilidade das condições do mercado de capitais, que resultaram, neste momento, em níveis de demanda e preço não apropriados para a conclusão da transação”. A empresa ressalta que mantém o interesse na operação à medida “que as condições de mercado se mostrem favoráveis”.

Novo mercado

O movimento de alta ontem indicaria um reposicionamento dos investidores no papel, já que a oferta foi adiada.

“Como você tinha os principais fundos querendo desconto e puxando o preço para baixo, quando foi adiado a oferta, o ativo ficou menos pesado. Isso retira o peso de que vai ter um player grande ofertando R$ 8 bilhões com a venda dos papéis”, complementa Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos.

De acordo com fontes do setor, a nova tentativa de vender na Bolsa as ações da maior produtora de resinas termoplásticas das Américas deve ficar para o ano que vem. Petrobras e Novonor já trabalham com esta hipótese no radar em razão das incertezas no mercado financeiro a partir do segundo semestre devido às eleições.

Segundo essas fontes, Petrobras e Novonor, que juntas têm 36,1% e 38,3% do capital total, respectivamente, na Braskem, têm pressa em se desfazer da companhia. Por isso, a indicação do comando das empresas é “voltar a fazer a oferta assim que possível”.

Uma das estratégias que estão sendo desenhadas é primeiro fazer a migração da companhia para o Novo Mercado, que conta com o maior nível de transparência e governança na Bolsa. E só depois prosseguir com a oferta.

A avaliação é que o cenário está “imprevisível” e que hoje uma venda bem sucedida depende “mais do mercado”, resumiu uma fonte a par das negociações.

Em 2019, a holandesa LyondellBasell chegou a mostrar interesse em comprar a a Braskem. Na ocasião, teria oferecido US$ 10 bilhões, mas o negócio acabou não ocorrendo porque a empresa europeia, lembrou uma fonte, considerou arriscado o negócio devido ao processo de recuperação judicial da Odebrecht.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Regularização do Simples Nacional vai até 31 de março: Programa permite parcelamento aos que foram afetadas pela pandemia
Conta de luz vai continuar salgada: Está mantida bandeira tarifária mais alta para o mês de fevereiro
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play