Segunda-feira, 20 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de julho de 2026
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que a pré-campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é “muito turbulenta” e precisa prestar contas sobre o financiamento feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, para conter o desgaste eleitoral. Vice-presidente entre 2019 e 2022 e alvo de desconfianças dentro do bolsonarismo, ele diz que parte dos integrantes do grupo não passa em exame “psicotécnico do Detran”.
Confira alguns trechos:
Jair Bolsonaro divulgou uma carta pedindo união em torno da candidatura de Flávio. Isso vai fortalecer a candidatura ou é um sinal claro de dificuldades internas?
Esse processo nasce na esteira de um fato que traz uma comoção para todo um grupo político, que é a prisão do Bolsonaro. Quando o Lula estava preso, ele ficou até o último momento tentando ser o candidato. No final das contas, jogou o (Fernando) Haddad para ser o candidato. É a mesma coisa (agora). Chegou uma hora que ele (Bolsonaro) teve que tomar uma atitude e colocou essa carta no intuito de dizer: “Vamos entender que o candidato que nós temos é esse (Flávio) e vamos tentar trabalhar junto dele”.
Quando Lula indicou Haddad, a esquerda se unificou rapidamente. Já Bolsonaro indicou Flávio há meses e ainda enfrenta resistência. Por que isso acontece?
Nesse meio tempo aconteceram algumas coisas com o Flávio. O pedido de recursos para o (Daniel) Vorcaro, a briga com Michelle (Bolsonaro), aquela outra idiotice que o cidadão (Paulo Figueiredo) que mora lá nos Estados Unidos disse que mulher não sabe votar. Isso é uma estupidez. Vamos combinar, né? E num país onde mais da metade das pessoas são mulheres. Não é nem tiro no pé, é amputação do pé.
O caso Master é o maior desgaste da campanha por causa do financiamento ao filme Dark Horse?
Quando a gente se apresenta o mais limpo dos limpos, tem que fazer valer essa aura. O Flávio, em determinado momento, vai ter que fazer isso e dizer: “Olha, o Vorcaro entregou tanto para gente, nós gastamos tanto”, e aí resolve essa questão. Vamos aguardar que ele faça isso aí antes do processo (eleitoral). Ele tem que ter uma vacina para isso, que é a prestação de contas.
Flávio é o melhor nome da direita para disputar a Presidência?
Talvez é o que tenha voto. Às vezes, não ganha o melhor, ganha o que tem voto. E o Flávio é um cara novo, herda os votos do pai. Ele tem condições de se preparar e escolher uma boa equipe e presidir o país num momento que vai ser muito difícil. A campanha do Flávio está muito turbulenta. Quando efetivamente der um giro como candidato e com um vice, dizendo “esse aqui vai ser meu responsável pela área econômica”, alguém que fale com as principais lideranças do país, dos setores econômicos, aí a gente pode ver ideias que sejam mais contundentes nesse aspecto.
Qual seria o perfil ideal para ser vice de Flávio?
Vice no Brasil é uma figura decorativa. Até é uma coisa ridícula você substituir o presidente quando ele viaja ao exterior, porque ele não perde o contato. Se o presidente não der ministério para ele, como o presidente Lula deu ao Alckmin, o vice não tem função. O que se fala (na campanha): uma mulher, do Nordeste, que não seja evangélica, porque ele já tem penetração nesse segmento. E não é simples você achar uma pessoa com essas características hoje no grupo político que circula ao redor do candidato.
Por que a participação dos militares no bolsonarismo diminuiu?
Nas redes sociais da turma da reserva há uma defesa da candidatura do Flávio. Agora, a ativa não pode se manifestar politicamente. No governo Bolsonaro, a maioria dos militares que trabalhavam no governo eram da reserva. Se você tem um núcleo de pessoas que foram formadas e aperfeiçoadas pelo Estado brasileiro, e o Estado não nos utiliza quando a gente passa para a reserva, é até um desperdício de talentos. Agora, o presidente Bolsonaro é oriundo do meio militar. O Flávio não é, nem prestou serviço militar inicial. São visões diferentes de mundo.
Uma correligionária sua, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), tem sido alvo de ataques de uma ala bolsonarista. Como o senhor avalia esse episódio?
Lamentável, porque infelizmente tem grupos dessa turma bolsonarista, que para mim não passa num (exame) psicotécnico do Detran. São pessoas que parecem viver num mundo totalmente distinto daquele que é o mundo real, e que partem para as ofensas. Uma coisa é estabelecer uma crítica construtiva sobre o pensamento político. Damares foi ofendida, e não só ela como a própria Michelle também foi. Com informações do portal O Globo.