Quinta-feira, 06 de agosto de 2026

Agência Nacional do Cinema encontra irregularidade em filme sobre a vida de Bolsonaro e pode multar produtora em até R$ 100 mil

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) decidiu autuar a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, longa-metragem de ficção inspirado no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por supostas irregularidades relacionadas ao processo de produção da obra no Brasil.

De acordo com a agência, a produção foi enquadrada como uma obra estrangeira e, por isso, deveria ter sido previamente comunicada às autoridades brasileiras competentes, conforme determinam as normas aplicáveis ao setor audiovisual. Segundo a Ancine, esse procedimento não foi realizado pela empresa, o que motivou a abertura do processo administrativo.

Com a autuação, a produtora poderá ser penalizada com multa cujo valor varia entre R$ 2.000 e R$ 100 mil. A definição do montante ficará a cargo da Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria da Ancine, responsável pela análise do caso e pela condução do procedimento administrativo.

O filme é falado em inglês e reúne uma equipe majoritariamente norte-americana. O projeto é estrelado, dirigido e escrito por profissionais dos Estados Unidos. Conforme informações disponíveis no site da Go Up Entertainment, a empresa tem sede no estado da Califórnia. Ao mesmo tempo, a produtora também está registrada como agente econômico na Ancine desde julho de 2025, com endereço cadastrado na cidade de São Paulo.

Segundo a agência reguladora, foram realizadas duas tentativas de contato com a produtora para solicitar esclarecimentos sobre a situação da obra e a documentação exigida. No entanto, diante da ausência de resposta, a Ancine decidiu formalizar a autuação e conceder o prazo previsto para que a empresa apresente sua defesa no processo.

Ainda de acordo com a Ancine, a distribuidora Europa Filmes protocolou, em junho deste ano, um pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) para o longa-metragem, etapa necessária para a regularização da produção perante o órgão.

O projeto também foi alvo de questionamentos relacionados ao seu financiamento. Em maio, a produtora negou, em declaração à Folha de S.Paulo, ter recebido repasses de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a realização do filme.

A informação sobre os supostos repasses foi divulgada pelo site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, o ex-banqueiro do Master teria destinado R$ 61 milhões para financiar a produção cinematográfica.

A reportagem também apresentou diálogos atribuídos a Daniel Vorcaro e ao senador Flávio Bolsonaro sobre os recursos destinados ao projeto. Em nota, Flávio confirmou ter solicitado apoio financeiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido qualquer vantagem em razão dessa iniciativa.

Segundo a publicação, o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que foi secretário especial de Cultura durante o governo Bolsonaro, também teria participado das tratativas relacionadas ao projeto. Em nota, Frias endossou o posicionamento da produtora e igualmente negou que tenham ocorrido repasses financeiros. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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