Quarta-feira, 20 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de setembro de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro acompanhou durante a manhã e a tarde dessa terça-feira (9), diretamente do sofá de sua residência em Brasília, a leitura do voto do ministro relator Alexandre de Moraes no julgamento da suposta trama de golpe. Ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, assistiu à transmissão com a televisão ligada e um bloco de anotações em mãos. Segundo pessoas próximas, Bolsonaro permaneceu atento ao conteúdo da fala do relator, que se estendeu por mais de cinco horas.
Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente demonstrou poucas reações externas. Em alguns momentos, fez pausas e comentou, em voz baixa, que o voto proferido por Moraes era “duríssimo”. Reiterou ainda, em conversas reservadas, o argumento que tem sustentado desde o fim de seu mandato: de que teria agido sempre dentro das “quatro linhas da Constituição”. Apesar das anotações feitas durante o julgamento, Bolsonaro manteve longos períodos de silêncio, limitando-se à observação.
Relatos de pessoas que estavam no local indicam que o ambiente na residência era tenso. Michelle Bolsonaro permaneceu ao lado do marido durante a maior parte do tempo. De acordo com interlocutores, o ex-presidente, conhecido por reações mais enérgicas em momentos públicos, adotou desta vez uma postura mais contida e silenciosa.
Entre aliados próximos, o comentário mais frequente após o voto do relator era de que a condenação de Bolsonaro seria uma possibilidade concreta. Ainda há expectativa de que o ministro Luiz Fux apresente uma divergência no julgamento, mas mesmo entre apoiadores, a percepção é de que o placar pode ser desfavorável ao ex-presidente.
No voto lido por Alexandre de Moraes, foram detalhadas as acusações que envolvem Bolsonaro na suposta articulação de um plano para contestar os resultados das eleições de 2022. O texto menciona ações como o incentivo a apoiadores, a tentativa de pressionar instituições e o contexto que teria levado à invasão das sedes dos três Poderes da República no dia 8 de janeiro de 2023. O conteúdo do voto, segundo aliados, elevou o grau de apreensão no entorno do ex-presidente.
Diferente de outras ocasiões, os filhos de Bolsonaro não estiveram presentes pela manhã. O senador Flávio Bolsonaro presidiu uma comissão no Senado Federal e concedeu entrevista coletiva à imprensa. Carlos Bolsonaro, por sua vez, era esperado na residência durante o período da tarde. Jair Renan Bolsonaro, segundo informações, não estaria em Brasília no dia do julgamento. (Com informações do jornal O Globo)