Domingo, 09 de agosto de 2026

Ansiedade em crianças brasileiras vira principal causa de incapacidade

Os transtornos de ansiedade lideram as causas de incapacidade entre crianças de 5 a 9 anos no Brasil. O diagnóstico supera o impacto de doenças físicas nessa faixa etária, segundo dados do Estudo da Carga Global de Doenças (GBD) divulgados pela revista The Lancet Regional Health – Americas.

A pesquisa estima que 15 milhões de brasileiros entre 5 e 29 anos convivem com algum transtorno mental, como a ansiedade. O número representa 20,91% da população nessa faixa etária. Além disso, outros 2,5 milhões de jovens enfrentam problemas decorrentes do uso de álcool e outras substâncias.

O psiquiatra Christian Kieling, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital Moinhos de Vento, liderou o mapeamento. O estudo dividiu os dados em intervalos de cinco anos para detalhar como as patologias evoluem com a idade.

A princípio, na infância, sobressaem-se os quadros ligados à separação dos pais. Durante a adolescência, surgem os desafios de interação social. Por fim, o início da vida adulta concentra casos de ansiedade generalizada e pânico.

Contudo, a partir dos 15 anos, ansiedade e depressão assumem o topo do ranking de incapacidade, afetando principalmente meninas e mulheres. Entre os homens, o abuso de substâncias cresce a partir dos 20 anos.

Nesse sentido, os pesquisadores criticam a ruptura do atendimento na rede pública quando o paciente completa 18 anos. Nessa transição, o jovem perde a cobertura infanto-juvenil e precisa migrar para o sistema adulto, momento em que costuma abandonar o tratamento para ansiedade.

O levantamento traz outro alerta grave: o suicídio figura como a terceira principal causa de morte prematura entre jovens de 15 a 29 anos, atingindo majoritariamente homens. A pesquisadora Claudia Buchweitz, primeira autora do trabalho, destaca a urgência de ampliar a assistência a esse grupo e às populações indígenas.

Falta de dados e gargalos na saúde pública

O estudo baseou-se em 66 fontes de dados nacionais, concentradas em São Paulo e no Rio Grande do Sul, evidenciando a escassez de indicadores nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Por fim, para reverter o cenário, os autores defendem a identificação precoce de sintomas de ansiedade nas escolas e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A avaliação aponta que a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) foca excessivamente em casos graves, deixando sem amparo os quadros leves e moderados. Com informações do portal Terra.

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