Sábado, 29 de agosto de 2026

Antes dependente da renda do marido, a lobista Roberta Luchsinger obteve contratos milionários

Em agosto de 2019, uma oficial de Justiça acompanhada por policiais militares bateu à porta de Roberta Luchsinger, em Higienópolis, São Paulo, para proceder à penhora de bens. Ela tinha dado um calote de R$ 35 mil em uma loja de móveis e decoração. A dívida, contraída em 2011, rolou até o credor ganhar o direito ao confisco de objetos de valor. Foram levadas 14 gravuras de Candido Portinari em nanquim, conjunto avaliado em R$ 70 mil.

Roberta alegou no processo que não tinha dinheiro para quitar a dívida e que sua única fonte de renda era o então marido. Ela era casada com o ex-delegado e ex-deputado Protógenes Queiroz. Em 2016, ele obteve asilo político na Suíça depois de alegar perseguição política no Brasil por causa de seu papel na Operação Satiagraha.

“A requerida não possui condições de arcar com esse valor, haja vista que seu marido se encontra asilado na Suíça com contas bloqueadas. Como sua única fonte de renda era seu marido, não há possibilidade de efetuar o pagamento”, dizia petição protocolada em abril de 2017.

Doação

O débito veio à tona nos idos de 2017 porque Roberta, que se apresentava como socialite e herdeira de banqueiro do Credit Suisse, deu declarações à imprensa dizendo que doaria R$ 500 mil a Luiz Inácio Lula da Silva, que estava com bens bloqueados pela Operação Lava Jato. Para os advogados do lojista, se ela tinha dinheiro para doar para Lula, tinha para pagar a dívida. Ele ganhou o processo na Justiça.

Sete anos depois de ser alvo da ordem de penhora, Roberta viu seus negócios de lobby prosperarem por meio de sua empresa de consultoria, aberta em novembro de 2019. Pagamentos feitos a ela mapeados em investigações da Polícia Federal que vieram a público ultrapassam os R$ 10 milhões. Em mensagem encontrada pela PF no celular dela, a lobista escreveu em 2024 a um empresário: “Eu quero 100 milhões esse ano”. A informação foi revelada pela revista Veja.

Roberta está relacionada a investigações que apuram suposto tráfico de influência dela e do filho mais velho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva. Ela também é investigada por sua relação com Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. A defesa diz que só se manifesta nos processos. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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