Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de agosto de 2026
O Partido Liberal (PL) já confirmou 33 nomes do partido para disputar o Senado. Desses, ao menos 27 defendem o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, segundo um levantamento do Estadão.
Em 18 de julho, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), inflamou o público que compareceu a um evento do partido em Vitória com discurso anti-Moraes.
“O Alexandre de Moraes não tem alma. Parece o demônio usando uma pessoa para fazer mal para os outros. É por isso que grande parte do povo brasileiro este ano vai escolher senadores que são favoráveis ao impeachment do Alexandre de Moraes”, disse.
A escolha do tema não foi aleatória: a deposição de ministros do STF é encarada como um ativo eleitoral por bolsonaristas. Os candidatos que vão tentar o Senado em outubro terão esse tema para enfrentar, se eleitos.
Se os candidatos forem eleitos no Senado, eles podem fortalecer a bancada que defende “enquadrar” o Poder Judiciário e tirar do cargo Moraes, que se tornou o principal algoz do bolsonarismo.
O levantamento do Estadão levou em consideração assinaturas em pedidos de impeachment contra Moraes no Senado e declarações pedindo a destituição do ministro. Até mesmo lideranças que antes adotavam postura e discurso moderados têm adotado a estratégia, tentando capturar votos de bolsonaristas-raiz.
Tachado de integrante do Centrão por Ricardo Salles (Novo), que disputa uma das vagas ao Senado por São Paulo, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), tem feito uma modulação em seu discurso para contemplar anseios da direita bolsonarista.
“Se assim for necessário, vou votar pelo impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal”, disse dias atrás o candidato do PL, apoiado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele vem sofrendo críticas por não pertencer, na visão dos críticos, ao “bolsonarismo raiz”.
O engajamento na pauta varia conforme o candidato. Alguns são mais claros em relação à pauta, como o senador Carlos Portinho (RJ), que chegou a pedir “uma CPI, um pedido de impeachment” e chamou o Judiciário de “um Poder totalitário, autoritário, que não condiz com a democracia brasileira”.
Já o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PB), aliado de Bolsonaro, não diz com todas as letras que o ministro tem que deixar o cargo. “Eu não vou ser candidato ao Senado para vir aqui e fazer impeachment de Alexandre de Moraes ou de qualquer um. Agora, existindo indícios de crime de responsabilidade, cabe a abertura de um processo, não com o intuito de se vingar de quem quer que seja, mas dentro do devido processo legal.”
Ele afirmou que, ao menos com base nos fatos já revelados publicamente pela imprensa, “existem elementos suficientes para justificar a instauração de um processo de impeachment”. “A abertura desse processo não representa uma condenação antecipada; significa, ao contrário, assegurar que os fatos sejam examinados com respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal”, complementou.
Apesar de terem críticas a Moraes e de terem participado de atos em que foi defendida a deposição do ministro, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) não dão declarações pregando explicitamente o impeachment.
A ex-primeira-dama se aproximou do ministro numa articulação por melhores condições de cumprimento de pena para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Em janeiro, Moraes autorizou a transferência de Bolsonaro da Superintendência Regional da Polícia Federal para o presídio do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. Em março, concedeu a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente após uma internação no hospital. Nas duas ocasiões, Michelle atuou na negociação com o STF.
“Nosso galego (apelido de Michelle ao marido) está lindo. Nosso ministro, vou profetizar aqui porque Deus transformou Saulo em Paulo, nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro e ele está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, com aqueles olhos azuis brilhando”, discursou num evento partidário em maio, apontando para a mudança de postura em relação ao ministro.
Carlos, por sua vez, é mais beligerante. Junto dos irmãos, ele defende, por exemplo, as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos contra o ministro do STF, como a aplicação da Lei Magnitsky. E tem criticado a fiscalização do cumprimento de pena por parte do ministro.
“Alexandre de Moraes, suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante de tamanha maldade praticada contra o último presidente do Brasil que jamais descumpriu uma linha da Constituição e também contra os presos do 8 de Janeiro”, publicou em suas redes em janeiro, após o pai ser transferido para a Papudinha. (Com informações de O Estado de S. Paulo)