Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, fora do núcleo responsável pela condução diária de sua campanha à reeleição. A decisão ocorre a poucos dias do início da propaganda eleitoral e depois de uma sequência de desgastes envolvendo a comunicação do governo e divergências entre integrantes da equipe presidencial.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, Sidônio continuará no comando da Secom e seguirá trabalhando no Palácio do Planalto, mas não participará diretamente das decisões do dia a dia da campanha. O ministro poderá continuar sendo consultado e dando opiniões sobre a estratégia eleitoral, mas a condução das ações ficará a cargo da equipe formada especificamente para a disputa presidencial.
A mudança ocorre depois de meses de discussões sobre a estrutura da comunicação de Lula para a eleição. Sidônio foi o responsável pelo marketing da campanha que levou o petista à vitória em 2022 e era considerado um dos principais nomes da equipe de comunicação do presidente. No início deste ano, chegou a ser cogitada sua saída da Secom para que pudesse se dedicar integralmente à campanha, mas Lula decidiu mantê-lo no governo.
A solução adotada foi manter Sidônio no cargo de ministro e colocar seu sócio, o publicitário Raul Rabelo, na função de marqueteiro da campanha. Rabelo já vinha sendo preparado para assumir a comunicação eleitoral e passou a integrar a estrutura responsável pela estratégia de propaganda de Lula.
A organização da campanha também envolve outros profissionais ligados à comunicação do presidente. Em junho, a Folha de S.Paulo informou que Lula ampliou a coordenação da pré-campanha em Brasília, com a participação de Raul Rabelo, do secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, e do fotógrafo Ricardo Stuckert, responsável pela comunicação visual do presidente e integrante da estrutura da Presidência.
Nos últimos meses, porém, a área de comunicação passou a ser marcada por disputas internas. Um dos episódios envolveu Sidônio e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete de Lula. Segundo relatos publicados pela imprensa, os dois tiveram divergências sobre a condução da comunicação presidencial.
A Folha informou em julho que Sidônio minimizava o episódio e aliados do publicitário negavam a existência de uma crise entre os dois. Apesar disso, o caso passou a fazer parte das discussões sobre a estrutura da campanha e sobre a divisão de responsabilidades entre a comunicação do governo e a equipe eleitoral.
A reorganização ganhou força nas últimas semanas. Em julho, Marcola deixou a estrutura do governo para atuar na campanha, enquanto Tiago César dos Santos, secretário-executivo da Secom, também passou a integrar a equipe eleitoral. A movimentação reforçou a separação entre os profissionais que permanecem no governo e aqueles que deixam seus cargos para trabalhar diretamente na disputa presidencial.
A decisão de afastar Sidônio do núcleo da campanha ocorre também em um momento de cobranças sobre a comunicação do governo. O desempenho da Secom e a forma como o Planalto responde a crises e divulga ações da administração federal têm sido alvo de avaliações internas. A campanha eleitoral, por sua vez, exige uma estrutura própria, com foco na disputa pelo voto e na estratégia de comunicação do candidato.
Lula também busca evitar uma sobreposição entre a comunicação institucional do governo e a propaganda eleitoral. A separação entre as duas estruturas permite que Sidônio permaneça responsável pela comunicação oficial do Executivo, enquanto Raul Rabelo e os demais integrantes da equipe eleitoral conduzem a estratégia da candidatura.
Mesmo afastado formalmente do núcleo da campanha, Sidônio não deverá ficar completamente distante das decisões. De acordo com as informações divulgadas sobre a reorganização, ele poderá continuar sendo ouvido por Lula e contribuir com avaliações estratégicas, mas sem exercer o comando direto sobre as ações eleitorais.
A mudança ocorre seis dias antes do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Com a estrutura definida, a campanha de Lula deverá concentrar as decisões de marketing e comunicação eleitoral na equipe responsável pela disputa pela reeleição, enquanto Sidônio permanecerá à frente da Secom no governo federal.