Quarta-feira, 03 de junho de 2026

Bancos brasileiros defendem o Pix e dizem que o governo dos Estados Unidos tem informações incompletas sobre sistema

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) saiu em defesa do Pix após o sistema de pagamentos instantâneos ser citado em uma investigação comercial dos Estados Unidos que poderá resultar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Na avaliação do governo americano, o Pix poderia representar uma vantagem considerada “injusta” para o Brasil, com potencial de restringir a participação de empresas dos Estados Unidos no mercado de pagamentos. A decisão final sobre a eventual cobrança das tarifas deve ser anunciada até 15 de julho.

Em nota, a Febraban afirmou que o Pix não é um produto comercial, mas uma infraestrutura de pagamentos criada pelo Banco Central para ampliar a concorrência e facilitar as transações financeiras.

Segundo a entidade, as conclusões apresentadas pelas autoridades americanas carecem de esclarecimentos adicionais sobre o funcionamento do sistema.

“O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica”, afirmou a federação.

A manifestação ocorreu após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgar as conclusões de uma investigação aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump.

De acordo com a Febraban, o sistema brasileiro opera sob um modelo aberto e não discriminatório, permitindo a participação de bancos, fintechs e instituições financeiras nacionais e estrangeiras.

A entidade destacou que não há restrições à entrada de novos participantes, independentemente do porte ou da origem da instituição. Como o Pix é um meio de pagamento local e opera em reais, a única exigência é que as empresas atuem no Brasil e cumpram as normas estabelecidas pelo Banco Central.

A federação também afirmou esperar que as contribuições apresentadas pelo Banco Central e por integrantes do sistema financeiro brasileiro durante a consulta pública conduzida pelo USTR contribuam para esclarecer o funcionamento da ferramenta.

“Temos boa expectativa de que as contribuições do Banco Central do Brasil e dos integrantes do sistema bancário brasileiro, incluindo os bancos americanos, ajudem a esclarecer as conclusões do órgão americano de comércio”, disse a entidade.

A Febraban ressaltou ainda que o Pix foi desenvolvido com a participação dos bancos e demais instituições financeiras do país e funciona como uma plataforma acessível a brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil, tanto pessoas físicas quanto jurídicas.

Por fim, a entidade destacou que o serviço é gratuito para pessoas físicas, mas pode ser tarifado para empresas, sem distinção entre companhias nacionais e estrangeiras.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Empresas brasileiras devem ter “muito cuidado”, diz ex-cônsul dos Estados Unidos sobre PCC e CV
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play