Sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Candidatos ao Senado discutem segurança, economia, infraestrutura e reconstrução do RS em debate da TV Pampa

Os oito candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul participaram  na noite desta quinta-feira (20) do primeiro grande debate das eleições de 2026 promovido pela TV Pampa. O encontro, realizado nos novos estúdios da emissora, em Porto Alegre, foi mediado pelo comunicador e vice-presidente da Rede Pampa, Paulo Sérgio Pinto, e reuniu Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela D’Ávila (PSOL), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL).

Entre os principais temas discutidos estiveram infraestrutura, situação fiscal, reforma administrativa e tributária, segurança pública, combate às facções criminosas, apostas esportivas, corrupção, reconstrução após as enchentes e relação entre os Poderes.

Frederico Antunes defendeu a melhoria da logística do Estado associada ao equilíbrio das contas públicas. O candidato citou a necessidade de retomada de obras de duplicação de rodovias e destacou a condição do Rio Grande do Sul como Estado de fronteira. Segundo ele, cerca de 60% do território gaúcho está em faixa de fronteira, característica que, em sua avaliação, deve ser considerada na busca por fundos de desenvolvimento. Antunes também defendeu limites para a publicidade das bets, afirmando ter conversado com pessoas afetadas pelo vício em apostas.

Germano Rigotto concentrou suas manifestações em reformas estruturais. O ex-governador defendeu uma reforma administrativa com valorização da meritocracia, fim de penduricalhos e combate a remunerações acima do teto constitucional. Também defendeu um sistema tributário mais simples e justo, com atenção ao período de transição da reforma tributária. Sobre o Supremo Tribunal Federal, propôs mudanças na forma de escolha dos ministros e no tempo de permanência no cargo.

Manuela D’Ávila abordou principalmente a violência contra as mulheres e o crime organizado. A candidata defendeu a criação de mecanismos para criminalizar manifestações de ódio contra mulheres e afirmou que o enfrentamento às facções deve incluir uma nova legislação sobre lavagem de dinheiro. Também propôs maior controle sobre recursos provenientes das apostas esportivas e a proibição das apostas virtuais, além de medidas de atendimento às pessoas que desenvolvem dependência.

Marcel van Hattem concentrou as críticas no governo federal e no Supremo Tribunal Federal. O candidato afirmou que integrantes da base do governo impediram o avanço da CPMI do INSS e acusou o STF de proteger envolvidos em corrupção. Também defendeu concessões e maior concorrência na área de infraestrutura e citou a lei de cabotagem como uma medida que, segundo ele, contou com oposição do PT.

Milton Cardoso também direcionou críticas ao governo federal e ao STF. Ao abordar a CPMI do INSS, afirmou que Paulo Pimenta teria comemorado o encerramento dos trabalhos e fez críticas à atuação do PT. Cardoso defendeu ainda a saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo e questionou a atuação do Congresso na discussão do voto auditável.

Paulo Pimenta respondeu às críticas relacionadas à CPMI do INSS. O candidato afirmou que o governo Lula atuou para investigar o esquema e garantir a devolução dos recursos desviados dos aposentados e pensionistas. Também rebateu críticas de Ubiratan Sanderson sobre as obras de reconstrução após as enchentes, citando ações realizadas pelo governo federal no Vale do Taquari.

Pimenta ainda defendeu mudanças na legislação sobre as apostas esportivas. Segundo ele, apresentou proposta para que o tema fosse analisado em regime de urgência e afirmou que o combate aos excessos das bets depende de legislação aprovada pelo Congresso.

Renato Jaguarão afirmou que pretende atuar no Senado priorizando as demandas do Rio Grande do Sul e deixando em segundo plano as disputas ideológicas. O candidato citou dificuldades econômicas na metade Sul do Estado, como saída de jovens e fechamento de indústrias, e defendeu a criação de um fundo de desenvolvimento para a região, além da implantação de uma zona franca no Rio Grande do Sul.

Ubiratan Sanderson abordou a reconstrução das áreas atingidas pelas enchentes e questionou o andamento das obras citadas por Paulo Pimenta. O candidato afirmou que esteve em municípios como Cruzeiro do Sul, Arroio do Meio e Roca Sales e que não encontrou obras concluídas conforme, segundo ele, havia sido apresentado pelo governo federal.

Na área social, Sanderson defendeu a manutenção de políticas de assistência, mas criticou benefícios pagos por períodos prolongados sem mecanismos de transição. O candidato também afirmou que faltam programas concretos de enfrentamento às facções criminosas e criticou a situação econômica do país, citando as dificuldades enfrentadas por empresas como as Casas Bahia.

O debate marcou o início do calendário eleitoral da TV Pampa. O próximo encontro será com os candidatos a vice-governador, em 10 de setembro, seguido pelo debate com os candidatos ao governo do Estado, em 24 de setembro. A Rede Pampa também programou entrevistas individuais com os candidatos ao Palácio Piratini e uma cobertura especial para a apuração dos votos no primeiro turno, em 4 de outubro. (Pedro Marques)

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