Quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cirurgias de câncer de intestino têm alta de 74%

O número de cirurgias para tratar o câncer colorretal — que inclui tumores no cólon, no reto e no ânus — cresceu 74% na última década no Sistema Único de Saúde (SUS). O total passou de 23 mil procedimentos, em 2014, para cerca de 40 mil em 2024. Os dados são de um estudo conduzido pelo Centro de Estudo e Promoção de Políticas de Saúde do Hospital Israelita Albert Einstein, com apoio da Fundação Bracell.

O aumento foi registrado em todas as faixas etárias e, segundo os pesquisadores, reflete tanto o crescimento da incidência da doença quanto a ampliação da capacidade de diagnóstico e tratamento no país — um avanço considerado positivo. Ainda assim, o cenário revela desigualdades importantes entre as regiões.

“Há mais casos e, ao mesmo tempo, maior acesso à cirurgia, ainda que de forma desigual”, afirma Lucas Hernandes Corrêa, um dos autores do estudo.

Atualmente, o câncer colorretal é o segundo tipo mais comum entre homens e mulheres no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), desconsiderando tumores de pele não melanoma.

Desigualdade regional

Os dados mostram forte concentração dos procedimentos no Sudeste, responsável por 51,5% das cirurgias. Em seguida aparecem Sul (23,5%), Nordeste (16%), Centro-Oeste (6,4%) e Norte (2,7%).

As diferenças também se refletem nos desfechos clínicos. A taxa média de mortalidade hospitalar foi de 5,8%, com variações regionais: o Norte registrou o maior índice (6,7%), enquanto Nordeste e Sul apresentaram os menores (5,2%).

O tempo médio de internação acompanhou essa desigualdade. No Norte, pacientes permaneceram hospitalizados por cerca de 9 dias, acima da média nacional de 7,3 dias. Já no Nordeste e no Centro-Oeste, a média ficou em torno de 6,5 dias.

Segundo Corrêa, essas disparidades estão ligadas a diferenças estruturais no sistema de saúde. Regiões com menor infraestrutura tendem a oferecer menos serviços especializados, equipes reduzidas e menor acesso a cirurgias, o que impacta os resultados.

O pesquisador ressalta que o problema começa antes do tratamento. “Há dificuldades tanto na promoção de saúde quanto no acesso ao diagnóstico, especialmente em áreas mais remotas. Isso pode atrasar o encaminhamento e comprometer a efetividade do cuidado”, afirma.

Fatores como grandes distâncias, necessidade de deslocamento e distribuição desigual de profissionais também contribuem para o cenário.

Avanço entre jovens

Outro ponto de atenção é o aumento de casos em pessoas com menos de 50 anos, embora a doença ainda seja mais comum em idades mais avançadas. Parte dos casos está associada a fatores genéticos e histórico familiar, mas isso não explica todo o fenômeno.

“A mudança está relacionada a hábitos de vida, como consumo de ultraprocessados, álcool, tabagismo e sedentarismo”, explica Corrêa. A obesidade também é apontada como fator de risco relevante.

Diante desse cenário, especialistas alertam que o câncer colorretal não deve mais ser associado apenas à população idosa. A recomendação é que pessoas mais jovens estejam atentas aos sintomas e busquem avaliação médica quando necessário.

Sinais de alerta

Entre os principais sintomas estão:

  • presença de sangue nas fezes
  • alterações persistentes no hábito intestinal, como diarreia ou constipação
  • dor abdominal recorrente
  • perda de peso sem causa aparente
  • anemia

Para os especialistas, ampliar o acesso a exames de rastreamento, como a colonoscopia, fortalecer a infraestrutura de saúde e investir em prevenção são medidas essenciais para reduzir desigualdades e melhorar o diagnóstico precoce da doença.

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