Domingo, 09 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de agosto de 2026
A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice de Flávio Bolsonaro selou mais uma chapa puro-sangue e fez da eleição de 2026 a recordista na proporção de candidaturas formadas por integrantes do mesmo partido, desde 1989. Das 13 duplas lançadas na disputa, 12 reúnem candidatos a presidente e a vice da mesma legenda.
As chapas puras representam 92,3% do total neste ano, percentual superior ao de 2014, quando dez das 11 duplas (90,9%) eram formadas por quadros de uma sigla. O total de 12 também é o maior registrado depois da eleição de 1989, ano em que o voto direto foi retomado no País.
Na ocasião, 19 das 22 candidaturas eram puro-sangue. A eleição deste ano ainda terá a primeira corrida presidencial desde a redemocratização com apenas uma coligação formal, composta pelo PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e outras seis siglas (PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede).
A eleição de 1989 foi a única em que uma chapa pura terminou vencedora, desde a retomada do voto direto. À época, Fernando Collor de Mello e Itamar Franco se lançaram ao pleito pelo extinto Partido da Reconstrução Nacional (PRN).
Especialistas avaliam que o cenário de 2026 reflete o esvaziamento das alianças nacionais e apontam como principais fatores a autonomia financeira dos partidos, que controlam uma fatia cada vez maior dos recursos públicos, e as mudanças nas regras eleitorais. As campanhas de Flávio e Lula, porém, minimizam os efeitos políticos do alcance restrito dessas alianças.
A composição pura formada pelo PL, anunciada na última quarta-feira, 5, encerrou as tentativas do senador de atrair PP, União Brasil, Republicanos e Podemos para uma aliança nacional. Nas últimas semanas, as siglas declararam neutralidade na corrida presidencial e liberaram os diretórios estaduais para apoiar Lula ou Flávio, conforme as articulações locais. MDB e Solidariedade também ficaram neutros na disputa presidencial.
Com Gaspar, Flávio passou a integrar o grupo de candidatos com chapas puro-sangue, que inclui Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab (PSD); Romeu Zema e Eduardo Girão (Novo); Renan Santos e Aroldo Medina (Missão); Samara Martins e Raquel Brício (UP); Leonardo Avalanche e Tenente Dalma (PRTB); Edmilson Costa e Cleusa Santos (PCB); Hertz Dias e Vanessa Portugal (PSTU); Rui Costa Pimenta e Antônio Carlos Silva (PCO); e Clariana Barão e Fabiana Torquato (DC).
Para Leandro Consentino, professor do Insper, o controle sobre a destinação de emendas parlamentares e o acesso ao Fundo Eleitoral, usado para financiar as campanhas, ajudam a explicar a opção pela neutralidade. Como mostrou o Estadão, as siglas que adotaram essa posição e seus parlamentares concentram cerca de R$ 14 bilhões em fundos públicos e emendas.
O fortalecimento financeiro, diz, alterou a relação das siglas com o Executivo. Abastecidos por emendas e fundos públicos, os partidos dependem menos do governo e podem adiar o apoio presidencial para negociar diretamente com o vencedor após as urnas. “O jogo mudou, e isso fica muito claro nestas eleições”, resume. Com informações do portal Estadão.