Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de agosto de 2026
Especialistas em direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) cobraram nessa quinta-feira (5) ações da comunidade internacional para impedir que Cuba se torne uma “Gaza silenciosa” como consequência das sanções dos EUA. Washington, que mantém um embargo à ilha desde 1962, impôs um bloqueio de petróleo a Cuba em janeiro, a pedido do presidente Donald Trump.
Segundo os especialistas, o bloqueio de petróleo e outras sanções impostas por Washington agravaram a situação econômica, causando grave escassez e frequentes apagões em todo o país – que já contabiliza 11 cortes de energia de grandes proporções desde 2024.
Energia, transporte, irrigação e serviços básicos estão em colapso, uma situação que afeta desproporcionalmente mulheres, crianças, idosos e outros grupos vulneráveis.
“As consequências humanitárias já estão se tornando uma crise generalizada, ameaçando os direitos à saúde, à vida, à alimentação e ao desenvolvimento”, afirmaram os especialistas da ONU.
Para milhões de cubanos, obter água e comida, deslocar-se de um lugar para outro e até mesmo encontrar um lugar para dormir tornou-se um desafio diário.
Especialistas também observaram que agências da ONU presentes em Cuba alertaram para o crescente risco de insegurança alimentar, bem como para a escassez de medicamentos e outros itens de primeira necessidade.
“A alimentação jamais deve ser usada como instrumento de pressão política. Medidas que privam deliberadamente uma população dos meios de subsistência violam as garantias mais básicas do direito à vida e minam a própria essência da dignidade humana”, afirmaram os especialistas.
“O governo dos Estados Unidos deve cessar todas as ameaças e atos hostis contra a soberania de Cuba e revogar todas as medidas que impôs ao país e que são contrárias ao direito internacional”, acrescentaram.
Instaram o Conselho de Segurança da ONU e a Assembleia Geral da ONU a abordarem urgentemente essas ameaças como uma questão de paz e segurança internacionais.
A declaração foi redigida por diversos relatores especiais da ONU, incluindo os responsáveis pelo desenvolvimento, pelo direito à alimentação e pelo impacto negativo de medidas coercitivas unilaterais.
Os especialistas são independentes e nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos. Portanto, suas opiniões e declarações não representam necessariamente a posição oficial das Nações Unidas.
Contexto histórico
Os Estados Unidos mantêm um embargo contra Cuba desde 1962. Em janeiro, o governo do presidente Donald Trump endureceu as restrições ao fornecimento de petróleo à ilha. Desde então, Washington permitiu apenas a chegada de um petroleiro russo, que transportou 100 mil toneladas de petróleo em março. Segundo o relato, essas reservas já foram consumidas.
A gestão Trump também intensificou as sanções contra empresas estatais cubanas, o que levou companhias estrangeiras a suspender operações no país. No fim de junho, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que as negociações com os Estados Unidos não apresentavam avanços.
Em meio à crise, o governo de Havana começou a implementar reformas de livre mercado na tentativa de estimular a economia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da agência de notícias AFP.