Quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Coreia do Norte testa míssil que poderia atingir os Estados Unidos

A Coreia do Norte disparou nesta sexta-feira (18) um míssil balístico intercontinental (ICBM), teoricamente capaz de atingir os EUA, mais um lançamento na maior série de testes de armas em cinco anos, iniciada no começo do mês, e que provocou duras condenações em Seul, Tóquio e Washington.

De acordo com autoridades sul-coreanas e japonesas, o míssil foi lançado dos arredores do aeroporto que serve a capital, Pyongyang, e percorreu cerca de 1.000km, com altitude máxima de 6,1 mil km, caindo nas águas da zona econômica exclusiva do Japão. Um alerta chegou a ser emitido para algumas regiões, mas não foram registrados danos.

O ministro da Defesa japonês, Yasukazu Hamada, declarou que o projétil, possivelmente um Hwasong 17, tem um alcance potencial de 15 mil km, sendo teoricamente capaz de atingir todo o território continental dos EUA. O míssil, o maior do arsenal norte-coreano, teria sido testado pela primeira vez com sucesso em março, mas lançamentos posteriores fracassaram, incluindo no começo de novembro. A Coreia do Norte não se pronunciou.

“O lançamento do ICBM norte-coreano foi uma provocação significativa e um sério ato de ameaça que mina a paz e a estabilidade, na apenas na Península Coreana, mas também na comunidade internacional, além de ser uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou, em comunicado à imprensa, o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS), citado pela agência Yonhap.

Logo depois da confirmação do lançamento, forças americanas e japonesas realizaram manobras aéreas no Mar do Japão, citando um “contexto de segurança cada vez mais difícil” ao redor do país asiático e “reafirmando a forte vontade” da aliança bilateral de “responder a qualquer situação”, declarou o Ministério da Defesa japonês.

Também com participação americana, a Coreia do Sul realizou um treinamento aéreo que simulou ataques contra instalações de lançamento de mísseis norte-coreanas. Segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, foram usados quatro caças F-35A, que atuaram ao lado de quatro F-16 da Força Aérea dos EUA em formação de combate no Mar do Japão.

“[Os aliados] demonstraram sua forte intenção de responder, de forma direta, a qualquer ameaça ou provocação, incluindo o míssil balístico intercontinental da Coreia do Norte, e reiteraram sua habilidade superior e prontidão para atacar o inimigo com precisão”, afirmou o JCS, de acordo com a Yonhap.

O presidente norte-coreano, Kim Jong-un, supervisionou pessoalmente o lançamento do ICBM e disse que responderá com armas nucleares às constantes ameaças feitas ao seu país, informou neste sábado (noite de sexta, em Brasília) a agência estatal KCNA.

Desde o começo do mês, a Coreia do Norte tem intensificado seus lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, de médio e curto alcance, além de mísseis de cruzeiro, na maior sequência desde 2017, ano em que ocorreu a última detonação de uma arma nuclear por Pyongyang. Em um dos disparos, um míssil chegou a cruzar a fronteira marítima com a Coreia do Sul, em um ato que foi considerado pelo presidente Yoon Seok-yeol “uma invasão territorial de fato”.

Inaceitável

Como esperado, o disparo desta sexta-feira foi recebido com condenações públicas. Durante uma reunião de líderes da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na Tailândia, a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, discutiu o incidente com os representantes de Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Coreia do Sul, e emitiu uma dura condenação pública.

“Nós pedimos novamente que a Coreia do Norte evite novos atos ilegais e de desestabilização”, disse Harris, em discurso. “Eu afirmei nosso compromisso inquebrantável com as nossas alianças indo-pacíficas. Juntos, os países representados aqui continuarão a pressionar a Coreia do Norte para que se comprometa com uma diplomacia séria e sustentável.”

No encontro, o premier japonês, Fumio Kishida, disse que o lançamento era algo “absolutamente inaceitável”, enquanto o presidente sul-coreano, Yoon Seok-yeol, que não foi à reunião, determinou o fortalecimento de medidas de defesa, em parceria com os EUA e o Japão. De acordo com a Presidência, ele ainda “pediu ações para condenações mais intensas e sanções contra o Norte, incluindo através do Conselho de Segurança da ONU, ao lado dos EUA e da comunidade internacional”.

Desde 1991, quando entrou para a ONU (ao lado da Coreia do Sul), Pyongyang foi alvo de 21 resoluções no Conselho de Segurança, incluindo condenações e sanções. Entre as atividades vetadas ao país estão justamente os testes de mísseis, mas analistas apontam que, além de mudanças na doutrina de defesa norte-coreana, Pyongyang vê um ambiente pouco propício a novas resoluções no Conselho.

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