Sábado, 08 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de agosto de 2026
Em meio a tensões diplomáticas entre os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, o governo argentino autorizou a entrada de homens da Marinha brasileira no país para participar de um exercício militar no Atlântico Sul entre os dias 13 e 24 de agosto. A atividade, que terá duração de 12 dias, envolverá navios de superfície, aeronaves e submarinos das Forças de ambas as nações.
O decreto, publicado no Boletim Oficial na quinta-feira (6), autoriza a entrada de uma fragata Tamandaré com 135 militares, uma fragata Niterói com 200 efetivos, um navio de socorro submarino Guillobel com 80 tripulantes e um submarino Riachuelo com 35 brasileiros a partir do dia 10 de agosto. Também está prevista a participação de militares do Estado Maior, aviadores navais e especialistas da Marinha brasileira.
A autorização foi concedida para a realização do exercício bilateral denominado “Fraterno”, na Base Naval Puerto Belgrano, na cidade de Mar del Plata. Esse exercício, promovido entre o Brasil e a Argentina desde 1978, reúne unidades das Marinhas argentina e brasileira no Atlântico Sul.
De acordo com o texto assinado por Milei, “a não participação no mencionado exercício afetaria significativamente o adestramento naval em operações combinadas” com a Marinha brasileira, em relação a atividades de “elevada complexidade operacional tática”.
Tensão diplomática
A crise diplomática entre Brasil e Argentina começou após Milei participar da convenção partidária do PL. Durante o discurso, Milei chamou o presidente Lula de “ladrão”, o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca” e fez críticas ao governo e a economia brasileira.
O governo brasileiro reagiu convocando o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos. Também chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas, uma medida adotada em momentos de tensão entre países.
Na terça-feira (4), o governo brasileiro decidiu rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina para o nível de encarregados de negócios. Com a medida, o embaixador Julio Bitelli não retornará para Buenos Aires e o embaixador de Milei em Brasília, Daniel Raimondi, voltará para o seu país.
A decisão foi tomada em resposta à continuidade dos insultos de Milei em entrevistas, mesmo após a convocação de Bitelli para consultas e Raimondi ter sido chamado no Itamaraty.
O Brasil exigiu um pedido de desculpas, mas, em vez disso, o presidente argentino insistiu no discurso e, em entrevista a Luis Majul na LN+, voltou a criticar Lula, chamando-o de “presidiário” e “ladrão”.
Assim, as tensões entre os dois países aumentaram, e o Ministério das Relações Exteriores brasileiro decidiu não reintegrar seu embaixador, mas sim adiar seu retorno por tempo indeterminado.
“Fomos muito pacientes, não respondemos, mas acreditamos que as repetidas ofensas contra o presidente tornam essa decisão inevitável”, disse uma fonte do governo brasileiro ao La Nación. (As informações são da CNN Brasil e O Globo)