Sábado, 08 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de agosto de 2026
O Senado dos Estados Unidos confirmou nesse sábado (8) Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Donald Trump, como secretário de Justiça do país. A votação, aprovada por margem apertada de 50 votos a 49, encerrou uma das disputas mais controversas do segundo mandato do republicano até aqui.
Antes de ingressar no alto escalão do governo, Blanche representou Trump como seu advogado pessoal em vários processos criminais, incluindo no caso envolvendo a atriz pornô Stormy Daniels.
Preocupações de democratas e republicanos com a falta de independência de Blanche em relação ao presidente quase fizeram a indicação fracassar no Congresso.
No plenário do Senado, atualmente controlado pelo Partido Republicano por uma margem estreita, a confirmação exigiu negociações intensas. As republicanas Susan Collins (do Maine) e Lisa Murkowski (do Alasca), conhecidas por suas posturas mais independentes, romperam com o partido, juntaram-se aos democratas e votaram contra a indicação.
O senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, acabou se tornando o voto decisivo para aprovar a nomeação, depois de dizer na sexta-feira (7) que, apesar de ressalvas, considerava Blanche a melhor opção que Trump estaria disposto a apresentar.
Fundo polêmico
A resistência da própria bancada republicana se concentrava em duas medidas adotadas por ele durante seu período como interino à frente do Departamento de Justiça. A principal delas foi a tentativa de criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão focado em combater o que o governo tem chamado de “aparelhamento político” da Justiça. O objetivo era destinar recursos públicos para indenizar cidadãos que afirmam ter sido alvo de perseguição de autoridades federais sob administrações anteriores.
O programa, no entanto, foi criticado por opositores e especialistas jurídicos, que o descreveram como uma espécie de fundo camuflado de recompensa para aliados de Trump. A medida abria brecha para beneficiar indivíduos processados e condenados por envolvimento na invasão do Capitólio.
A segunda era um decreto, assinado em maio, relacionado a um acordo entre o Departamento de Justiça e Trump, que, segundo a interpretação de senadores de ambos os partidos, poderia ser utilizado como uma proteção contra futuras auditorias fiscais ou investigações financeiras envolvendo não apenas o presidente, mas também pessoas ligadas a ele, incluindo familiares e executivos de suas empresas.
Para destravar sua indicação, Blanche recuou. Às vésperas da votação, ele publicou uma nova ordem administrativa revogando o fundo bilionário. Além disso, restringiu o alcance do acordo de imunidade tributária. As concessões permitiram que ele superasse a resistência de parte da bancada republicana.
Aparelhamento
Já os democratas se opuseram à nomeação desde o início e acusaram Trump de transformar o Departamento de Justiça em uma arma política. “O secretário de Justiça deveria ser o advogado do povo”, disse na terça (4) o senador democrata Dick Durbin, do Comitê Judiciário do Senado.
“Blanche continua atuando como advogado pessoal do presidente, tratando o Departamento de Justiça como um escritório de advocacia que presta serviços a um único cliente: o presidente”.
Após a confirmação, o novo secretário de Justiça escreveu, em uma publicação nas redes sociais, estar profundamente honrado.
Mudança de perfil
Historicamente, o Departamento de Justiça desempenhou suas funções com relativa independência em relação à Casa Branca. No segundo mandato de Trump, porém, essa relação tem sido alvo de controvérsia diante de esforços do presidente para ampliar seu controle sobre agências e instituições que tradicionalmente operam com maior autonomia.
O departamento buscou processar adversários que Trump considera seus inimigos, provocou a saída em massa de promotores de carreira e declarou que atuava sob a direção do presidente.
Juízes federais criticaram em várias ocasiões promotores por apresentarem o que consideraram casos frágeis, e grandes júris se recusaram a apresentar acusações em algumas situações.
Nomeados políticos também substituíram funcionários de carreira de alto escalão considerados resistentes à agenda do governo, reduzindo o quadro de funcionários da divisão de direitos civis, do escritório de ética e de outras áreas.
Blanche afirmou que ajudou a levar a criminalidade a níveis historicamente baixos e a corrigir o que considera injustiças cometidas pelo governo de Joe Biden contra Trump e seus aliados conservadores.
Os apoiadores de Blanche dizem que ele está comprometido com a missão central do Departamento de Justiça de manter o país seguro. (Com informações da Folha de S. Paulo e O Globo)