Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de agosto de 2026
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O argentino compartilhou uma publicação do deputado republicano norte-americano Carlos A. Giménez, apoiador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual o petista é chamado de “porco”.
“O ódio e o desprezo com que o criminoso Lula da Silva, do Brasil, se manifesta em relação ao nosso secretário de Estado, Marco Rubio, vêm diretamente de seus chefes na ditadura castro-comunista”, escreveu Giménez. Na sequência, o parlamentar afirmou: “Os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”.
A nova manifestação ocorre em meio ao agravamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina. A tensão aumentou depois de Milei participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o evento, no sábado (8), o presidente argentino criticou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Depois da convenção, Milei voltou a atacar Lula durante entrevista à emissora argentina LN+. Na ocasião, chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto” e rejeitou as críticas feitas pelo governo brasileiro.
“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, afirmou Milei, ao comentar a anulação das condenações de Lula no âmbito da Operação Lava-Jato.
O presidente argentino também defendeu o tom das declarações anteriores. “O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, declarou.
Na convenção do PL, Milei também criticou o modelo político adotado pelo governo brasileiro e associou a situação econômica da Argentina ao que chamou de “socialismo”. Ele atacou ainda o Foro de São Paulo, afirmando que a organização foi criada por Lula e pelo líder cubano Fidel Castro como uma “rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”.
“O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo”, afirmou.
Na mesma ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e voltou a atacar Alexandre de Moraes, a quem chamou de “lixo careca”, após o ministro do STF negar um pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As declarações provocaram reação do governo brasileiro. Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou, em entrevista ao jornal argentino Clarín, que a Argentina precisa interromper as agressões contra o Brasil para que as relações entre os dois países sejam normalizadas.
O chanceler classificou como graves as ofensas feitas por Milei e defendeu a preservação da relação bilateral.
“A Argentina precisa valorizar a relação com o Brasil da mesma maneira que o Brasil a valoriza com a Argentina”, afirmou Vieira. Segundo ele, é necessário interromper as declarações agressivas e retomar a normalidade na relação.
“Essas ofensas foram muito graves. Portanto, é preciso preservar essa relação, suspender as agressões e retomar o caminho da normalidade no vínculo bilateral”, declarou.
Vieira também afirmou que a relação entre os dois países chegou a ser administrada por encarregados de negócios devido às declarações de Milei contra autoridades brasileiras, instituições e Poderes.