Terça-feira, 11 de agosto de 2026

Ministros do Supremo buscam amenizar a tensão entre André Mendonça e a Polícia Federal

Colegas de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) procuraram o ministro na semana passada em uma tentativa de reduzir a tensão entre ele e a Polícia Federal (PF) em torno das investigações sobre os desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As articulações realizadas nos últimos dias contribuíram para que Mendonça aceitasse se reunir com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, com o objetivo de buscar uma solução para o impasse. A iniciativa ocorreu em meio ao aumento das divergências entre o ministro do STF e integrantes da cúpula da PF sobre a condução das investigações.

Durante as conversas com Mendonça, magistrados da Corte ressaltaram que um eventual confronto entre o relator do caso e a Polícia Federal poderia abrir espaço para que pessoas investigadas tentassem questionar as medidas adotadas e, consequentemente, enfraquecer o andamento das apurações. A avaliação apresentada aos ministros foi de que a manutenção do conflito poderia gerar novos questionamentos sobre os procedimentos adotados na investigação.

Mendonça, segundo os relatos, mostrou-se disposto a dialogar com o ministro da Justiça e buscar uma forma de reduzir as divergências. O primeiro encontro ocorreu na quinta-feira (6), quando Wellington César Lima e Silva e o ministro do STF se reuniram para discutir o cenário. A conversa foi intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.

Também está prevista uma reunião entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O encontro deverá ocorrer nos próximos dias e faz parte das tentativas de estabelecer um canal de diálogo direto entre o ministro e a cúpula da corporação, diante das divergências que se intensificaram durante a investigação.

A crise ganhou maior dimensão depois que Mendonça determinou que a Polícia Federal encaminhasse ao seu gabinete todos os documentos brutos produzidos no âmbito da investigação sobre os desvios no INSS. O ministro também solicitou ser comunicado previamente sobre qualquer mudança na equipe de delegados responsável pelo caso.

As apurações envolvem diferentes suspeitos e também alcançam Fábio Luís, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é investigado por suspeita de tráfico de influência. A menção ao filho do presidente ocorre no contexto das investigações conduzidas pela PF.

O diretor-geral Andrei Rodrigues e integrantes da cúpula da Polícia Federal interpretaram as determinações de Mendonça como uma interferência direta em atribuições que, na avaliação da corporação, não caberiam ao ministro. Diante disso, representantes da PF solicitaram que a Advocacia-Geral da União (AGU) questionasse judicialmente as medidas determinadas pelo magistrado.

Dentro da Polícia Federal, a avaliação é de que o envio do material bruto ao gabinete de Mendonça poderia fazer com que a corporação e o Ministério Público perdessem parte do controle sobre quem teria acesso aos dados da investigação, com possível impacto sobre a cadeia de custódia das informações. Integrantes da PF também questionam a extensão da atuação do ministro no caso e avaliam que as medidas poderiam aproximá-lo de funções relacionadas à condução da investigação. (Com informações da colunista Bela Megale, do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Congresso retoma atividades com agenda esvaziada até as eleições
Em novo ataque, presidente da Argentina compartilha postagem em que aliado de Trump chama Lula de “porco”
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play