Quarta-feira, 15 de abril de 2026

Guerra atinge o agronegócio de todo o mundo, mas o Brasil ainda leva vantagem sobre os Estados Unidos

Se há uma área na qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem mantido a consistência, é no agronegócio: desde seu primeiro mandato, em 2017, sua política econômica fez com que o setor naquele país entrasse em déficit comercial, a inflação na área subisse exponencialmente e os produtores passassem a depender de subsídios inéditos do governo.

A guerra do Irã colocou um peso a mais nessa âncora, já que os campos do Hemisfério Norte precisam ser plantados agora, justamente quando os insumos estão no pico de preços por causa do fechamento do Estreito de Ormuz.

“Trump já havia feito um processo longo de encarecimento dos fertilizantes nos EUA ao longo de todo o ano passado, com o tarifaço”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Com a guerra contra o Irã, quem sofre mais neste momento são os produtores que precisam plantar em abril e maio, os americanos entre eles.”

Por outro lado, se os brasileiros também têm sofrido com aumento de custos por conta da guerra, o movimento tende a manter a trajetória de ocupação do espaço, até então a cargo dos EUA, no comércio global por parte dos produtores nacionais.

É uma tendência que começou há quase uma década, mas que se intensificou recentemente. Quando a tensão geopolítica se acirrou ainda no primeiro governo Trump, a China, maior importadora global de commodities, foi obrigada a substituir as compras feitas dos EUA. O Brasil, com sua capacidade de escala, foi o único com condições de ocupar esse vácuo rapidamente.

Porém, além da questão geopolítica com a China, o encarecimento dos custos americanos fez com que os produtos brasileiros avançassem também em outros mercados, como o Oriente Médio e a Ásia (com crescimento de 20,4% e 24,5%, respectivamente, no ano passado em relação a

O Brasil também ampliou a venda de carnes e milho para o Sudeste Asiático, que tem uma classe média em expansão e busca alternativas aos fornecedores americanos. O País ainda tem vendido mais para os EUA. Os americanos têm hoje o menor rebanho de gado bovino desde 1951, quando a população era metade da atual. Em 2025, pela primeira vez nas estatísticas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), iniciadas na década de 60, o Brasil superou os EUA como maior produtor mundial de carne bovina.

Como resultado, o País chegou, no ano passado, ao patamar mais próximo da história de ultrapassar os EUA como o maior exportador agrícola total do mundo. Em 2025, o agro brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Já os EUA venderam US$ 171,3 bilhões ao exterior, com queda de 2,8% em relação a 2024, de acordo com o USDA. A diferença que separa os dois países, de US$ 2,1 bilhões, equivale a menos de uma semana de exportações brasileiras.

“O Trump, basicamente, deu um tiro no pé”, afirma Roberto Dumas, professor do Insper e especialista em economia chinesa. “Impor tarifaço com a crença de que isso trará a produção para os Estados Unidos é um contrassenso, na medida em que o país perdeu competitividade.”

Segundo diferentes relatórios de bancos que acompanham o setor, o Brasil foi o país mais beneficiado com essa mudança no agronegócio dos EUA, seguido de Argentina, Rússia, Austrália, Vietnã e Índia.

Sozinho, o Brasil responde por 70% das importações de soja da China e cerca de 50% no caso do milho, deixando os EUA com fatias marginais ou sazonais. “Os EUA estão ajudando muito a gente na última década”, diz Vale. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

 

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