Segunda-feira, 04 de julho de 2022

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Justiça decreta prisão preventiva de ex-servidor que deu prejuízo de 30 milhões de reais em esquema de apostas que envolveu juízes

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) decretou a prisão preventiva de Felipe Tobler Lemgruber, ex-servidor do próprio Tribunal, acusado de fazer um esquema de apostas esportivas em pirâmide financeira. Segundo informações reveladas pelo jornal O Globo em outubro, entre as vítimas de Tobler estavam juízes, servidores do Judiciário e moradores de Barra do Piraí e Volta Redonda. Ele foi demitido há dois meses após investigações internas do TJ-RJ.

Na decisão em que aceitou a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva do ex-servidor, a juíza Anna Carolinne Licasalio da Costa ainda afirmou que Tobler tentava buscar novos investidores para quitar as dívidas, formando uma “bola de neve”:

“O prosseguimento das investigações apontam para a existência de indícios de crime de estelionato e que Felipe já se encontrava em débito com seus ‘clientes/investidores’ há algum tempo e vinha buscando novos investidores em outros grupos de modo a saldar as dívidas pré-existentes, formando-se assim uma bola de neve quando os apostadores resolveram resgatar os aportes”, diz trecho da decisão obtida pelo jornal O Globo.

Tobler não apresentou a Justiça seu endereço. A decisão sobre a prisão foi proferida no último domingo, e ele já é considerado foragido. A Polícia Civil trabalha para tentar localizá-lo. A falta de informações sobre seu paradeiro também foi alvo de análise da magistrada em sua decisão:

“Impende ressaltar que este juízo aplicou medidas cautelares as quais não foram adequadamente cumpridas pelo acusado que até a presente data NÃO apresentou seu atual endereço, sendo certo que foram ignoradas mesmo as medidas assecuratórias de sigilo dessa informação. Impende ressaltar que aparentemente nem este juízo nem seus credores nem as autoridades investigativas possuem qualquer noção do seu paradeiro”, afirma a juíza.

Mesmo em débito com outros “clientes/investidores” há algum tempo, em seu papel como trader esportivo, o servidor exonerado do Tribunal de Justiça do Rio Felipe Tobler seguiu atuando no mercado de apostas e fazendo novas vítimas. A informação está na decisão da juíza Anna Carolina Licasalio da Costa, de Barra do Piraí. Ele angariava novos clientes como maneira de saldar dívidas feitas com outros. “Formando-se assim uma bola de neve quando os apostadores resolveram resgatar os aportes”, nas palavras da juíza, ao aceitar o pedido de prisão preventiva.

O texto da decisão destaca que em todos os depoimentos de vítimas – o golpe que deu em juízes, médicos, comerciantes e outros moradores no Sul Fluminense ultrapassou os R$ 30 milhões – indicavam que o então assessor judiciário era “uma pessoa muito carismática”. Diante disso, conclui a juíza, pode estar em local não sabido praticando os mesmos atos, “havendo flagrante risco para a ordem pública e econômica”. O mandado de prisão tem prazo de oito anos.

Em entrevista ao jornal O Globo no dia 20 de outubro, Tobler sustentou que apostas são o futuro da nossa economia, diante da instabilidade do mercado financeiro. Lembrou que os jogos de azar não são proibidos aqui, mas a instalação de empresas de apostas, sim.

Seus clientes depositavam o dinheiro em sua conta, e ele jogava. Sua “especialidade” era o tênis. “Meu erro foi acelerar os ganhos. Eu tenho problema de dependência no jogo. Isso cega a gente. O bolo começou a crescer demais”, disse Tobler, que disse ter se viciado em apostas. “Eu errei muito. Tinha uma família perfeita e tinha admiração na cidade. Tenho certeza de que participei de ato ilícito.” Os bens e contas do servidor, expulso do Tribunal de Justiça por processo administrativo motivado pelos golpes, estão penhorados e bloqueados.

As investigações da 88ª DP (Barra do Piraí) e do Ministério Público da cidade duraram cerca de seis meses. Os crimes imputados ao ex-servidor chegam a mais de 70 anos de prisão. Felipe Tobler, aponta as investigações, usava seu prestígio como servidor do Tribunal de Justiça e de professor universitário para angariar cada vez mais vítimas. Entre suas promessas estava investir o dinheiro das vítimas em apostas de jogos esportivos e entregar 10% de lucro ao mês. Após as vítimas entregarem o dinheiro, Felipe chegava a entregar o lucro prometido por alguns meses.

Com o passar do tempo, as vítimas pegavam empréstimos, vendiam carros, imóveis e entregavam todo dinheiro ao ex-servidor. Mas, após alguns meses, Tobler parou de fazer os pagamentos e algumas famílias foram à falência..

Durante a investigação, a Polícia Civil descobriu que Tobler alugava carros importados e circulava pelas ruas de Barra do Piraí para passar a imagem de ser um investidor bem-sucedido. O ex-servidor também entregava presentes para seus clientes na tentativa de ganhar mais confiança. Em um dos episódios, após uma das vítimas fazer um depósito de R$ 300 mil, Tobler enviou pizzas para outras 30 famílias que investiam nele, a fim de passar a imagem que os negócios iam bem.

A Polícia Civil também descobriu que em outra tentativa de criar credibilidade entre as vítimas, o ex-servidor realizava videoconferências com esportistas. As informações são do jornal O Globo.

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