Terça-feira, 04 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de agosto de 2026
Em tempos de polarização, ao pedir o seu voto, o candidato não apenas diz quem é, mas quem ele rejeita. Os discursos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostram que o adversário que ele escolheu para outubro não é Flávio Bolsonaro, mas Donald Trump. São o nacionalismo e a defesa da soberania que o presidente pretende usar para se contrapor à oposição e sua vinculação com os EUA.
Os novos tarifaços dos EUA contra as empresas brasileiras são a maior oportunidade de Lula abrir uma vantagem consistente nas pesquisas contra Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, não quer enfrentar Lula, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Na convenção nacional, ele exibiu o pai num vídeo de inteligência artificial, mesmo sabendo da proibição imposta pelo STF. No sábado (1º), na convenção que lançou o irmão Carlos a senador por Santa Catarina, ele repetiu a dose, mostrando um vídeo com a voz de Jair Bolsonaro e imagens antigas.
Bolsonaro quer uma reação do STF que mude a agenda da campanha para a situação do pai, condenado por golpe de Estado e preso em regime domiciliar desde março. Moraes, que até hoje deve explicações convincentes no caso Master, é um adversário mais simples de enfrentar do que Lula.
Com a imagem do “Bolsonaro moderado” derrubada pela crise com Michelle Bolsonaro (que arranjou um atestado para não encontrá-lo na convenção deste domingo), a recusa do PP em indicar Tereza Cristina para a vaga de vice e a neutralidade do Centrão, Flávio Bolsonaro se voltou para a sua única vantagem em relação aos demais candidatos: ser filho de Jair. (Com informações do colunista Thomas Traumann, do jornal O Globo)