Terça-feira, 04 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem dito em conversas reservadas que sua votação no primeiro turno deste ano deverá chegar perto de seu teto eleitoral e que não vê brechas para ampliar alianças no segundo turno.
Ele avalia não existir, no momento, possibilidade de outros candidatos o apoiarem em uma provável segunda etapa da eleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Por essa análise, um aumento expressivo na sua votação entre um turno e outro seria pouco provável.
Nessas conversas, apurou a Folha de S.Paulo, Lula avalia que essa eleição presidencial é diferente de todas as outras que já disputou por esse motivo e outros dois: o aumento da importância das redes sociais e a possibilidade de interferência estrangeira na disputa, temores da campanha petista.
Parte da cúpula do PT avalia que é possível avançar sobre um pedaço do eleitorado indeciso e, talvez, vencer a eleição no primeiro turno apostando na rejeição a Flávio.
A insistência numa vitória na primeira etapa já entrou no discurso público de Lula e aliados. O presidente mencionou a hipótese na semana passada, durante a convenção em que o PSB oficializou a indicação de Geraldo Alckmin para continuar como vice.
No discurso, Lula mencionou que está com 80 anos e disse: “[Tem] aquele ditado de que o vinho, quanto mais velho, melhor fica. Eu quero dizer que vocês têm aqui duas garrafas de vinho [ele e Alckmin] da melhor qualidade. Bebam elas para que a gente possa chegar no dia 4 de outubro e matar as eleições no primeiro turno”, declarou o petista.
No domingo (2), ele deixou clara a importância de ampliar o eleitorado, ao dizer que não quer ser lembrado apenas como “o presidente do Bolsa Família”.
Lula costuma afirmar em reuniões internas que a eleição será difícil e que seu grupo não pode adotar uma postura de “já ganhou”.
Lula precisa ter mais votos do que a soma de todos os adversários para vencer no primeiro turno — o que ele não conseguiu em nenhuma das outras seis eleições presidenciais que disputou.
Alianças
Lula é o único pré-candidato de esquerda entre os principais na disputa. Além disso, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) tentam se colocar como líderes do antipetismo para aumentar seu eleitorado.
Nesse cenário, Lula teria que buscar eleitores desses candidatos sem a ajuda deles. Aliados do petista mencionam, nos bastidores, a possibilidade de conseguir acordos discretos com dirigentes partidários – principalmente do PSD – para tentar aumentar a votação em um provável segundo turno.
A barreira para expandir o eleitorado no segundo turno seria uma dificuldade inédita na carreira política do presidente da República.
Em 1989, quando disputou a Presidência pela primeira vez, Lula foi para o segundo turno contra Fernando Collor (então no PRN, sem partido desde 2025) e recebeu o apoio de políticos como Leonel Brizola (PDT) e Mário Covas (PSDB), que tinham sido derrotados na primeira votação. Collor venceu o petista naquela disputa.
Em 1994 e 1998, Lula perdeu para o tucano Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno.
Lula venceu a eleição de 2002, quando disputou o segundo turno contra José Serra (PSDB). Na etapa decisiva, recebeu o apoio de Anthony Garotinho (então no PSB) e Ciro Gomes (então no PPS).
Em 2006, contra o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB, à época no PSDB), o petista não recebeu apoios formais, mas absorveu eleitores que tinham votado no primeiro turno em Heloísa Helena (então no PSOL, hoje na Rede) e Cristovam Buarque (então no PDT, hoje no PSB), ambos do campo da esquerda.
Em sua mais recente eleição, em 2022, Lula obteve o apoio de Simone Tebet (então no MDB, hoje no PSB) para o segundo turno. Além disso, o PDT aderiu à candidatura do petista na reta final, mas sem seu então candidato, Ciro Gomes (hoje no PSDB), participar da campanha lulista. (Com informações da Folha de S.Paulo)