Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de setembro de 2026
Em 2022, a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investigasse o então presidente Jair Bolsonaro (PL) por medidas adotadas para ampliar benefícios sociais durante a corrida eleitoral daquele ano. A ação apresentada pela equipe do petista pedia a inelegibilidade de Bolsonaro.
Em agosto de 2022, Bolsonaro defendeu a aprovação de uma nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para ampliar o valor do Auxílio Brasil, programa que correspondia ao Bolsa Família durante seu governo. A proposta previa que o benefício chegasse a R$ 600 em 2023.
O governo Bolsonaro elevou o valor do benefício em R$ 200. O reajuste foi concedido de forma temporária entre agosto e dezembro daquele ano. Até então, o valor mínimo do Auxílio Brasil era de R$ 400.
Segundo dados do Ministério da Cidadania citados na ação, em agosto de 2022 foram incluídas 2,2 milhões de novas famílias no programa. Com a ampliação, o número de famílias cadastradas chegou a 20,2 milhões.
No pedido encaminhado ao TSE, a equipe de Lula afirmou que Bolsonaro “concedeu ilegais benefícios financeiros aos cidadãos brasileiros durante o período eleitoral, com o claro intuito de angariar votos e, portanto, influenciar na escolha dos eleitores brasileiros, de modo a ferir a lisura do pleito”.
A ação apresentada pela equipe do então candidato também relacionava outras medidas adotadas pelo governo durante o período eleitoral. Entre elas estavam a “antecipação da transferência do benefício do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás; aumento do número de famílias beneficiadas pelo Auxílio Brasil; antecipação de pagamento de auxílio a caminhoneiros e taxistas; programa de negociação de dívidas com a Caixa Econômica Federal; liberação de FGTS futuro para financiar imóveis; anúncio pela Caixa Econômica Federal de crédito para mulheres empreendedoras; crédito consignado do Auxílio Brasil”.
Quatro anos depois, o governo Lula anunciou uma nova alteração no principal programa de transferência de renda. Nessa quinta-feira (17), o presidente anunciou reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família.
A medida foi anunciada 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e elevará o valor mínimo pago pelo programa de R$ 600 para R$ 691 por família.
De acordo com o anúncio, os novos valores começarão a ser pagos aos beneficiários em 19 de outubro. A data fica menos de uma semana antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
O reajuste terá impacto de R$ 5,8 bilhões nas despesas do governo ainda em 2026. Para os anos de 2027 e 2028, o custo anual estimado será de R$ 22,7 bilhões.
A comparação entre as medidas adotadas nos dois governos ocorre no contexto das eleições de 2026, após o anúncio do reajuste do Bolsa Família pelo governo Lula. Em 2022, a equipe do atual presidente questionou no TSE a ampliação temporária dos benefícios promovida pelo governo Bolsonaro e sustentou, na ação, que as medidas poderiam influenciar a escolha dos eleitores.
No caso de 2026, o reajuste anunciado pelo governo Lula também foi divulgado durante o período que antecede a votação. O novo valor do benefício, contudo, terá início em outubro, conforme o cronograma apresentado pelo governo. (Com informações da Folha de S.Paulo)