Sábado, 15 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de agosto de 2026
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha é alvo de duas ações do Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais (MPE-MG) que pedem a impugnação da candidatura do ex-parlamentar. Um dos pedidos baseia-se em uma condenação prévia de Cunha por impropriedade administrativa, enquanto o outro destaca que ele integraria uma organização criminosa investigada no âmbito da Operação Transparência, que apura o uso de emendas parlamentares no orçamento secreto.
Cassado em 2016, o ex-deputado federal, eleito quatro vezes pelo Rio de Janeiro, se lançou candidato em 2022 por São Paulo, mas não conseguiu se eleger. Neste ano, tentará voltar ao cargo por Minas.
Uma das ações cita a suspeita de que a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, a Tuca, atuava na destinação de emendas parlamentares indicadas por Eduardo Cunha, que está sem mandato. O texto destaca que 21 emendas parlamentares, totalizando R$ 6,15 milhões, foram destinadas a partir de orientações de “uma pessoa que não pertence ao Parlamento”.
A relação entre Tuca e Cunha foi confirmada por meio de diálogos obtidos em celulares dos investigados. Segundo o MPE, uma lista apresentada pelo ex-deputado federal à servidora é compatível com emendas que foram efetivamente pagas pelo Legislativo.
“Tais planilhas, quando cotejadas, revelam pedido, promessa, definição de valores e seleção casuística de municípios beneficiários, com ênfase reincidente em localidades da sua ‘nova’ base política, o Estado de Minas Gerais”, diz trecho da ação.
Para o MPE, os resultados da Operação Transparência mostram que Cunha “não ostenta aptidão para o exercício da sua capacidade eleitoral passiva”. Ele é descrito como “líder de organização criminosa estruturada e permanente que visa o encaminhamento espúrio de emendas parlamentares”.
Ao sustentar pela impugnação de Cunha, o MPE afirma que precedentes do TSE já reconheceram ser vedada a candidatura de “integrantes de organizações paramilitares e de todo e qualquer grupo criminoso organizado”. O órgão argumenta que não se busca antecipar uma condenação criminal ou afastar a presunção de inocência, mas preservar “valores constitucionais que informam o sistema eleitoral brasileiro”. Um dos precedentes citados é o de Clébio Jacaré, que em 2024 se lançou candidato à Prefeitura de Nova Iguaçu, mas teve o pedido indeferido. Assim como Cunha, ele ainda não havia sido condenado por participar de esquema de corrupção.
O outro pedido de impugnação é baseado na condenação de Cunha em uma ação na 10ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro por improbidade administrativa em dezembro de 2019. Além do pagamento de multa e perda de bens, o ex-parlamentar perdeu direitos políticos pelo prazo de oito anos. Em 2022, Cunha chegou a conseguir uma decisão que suspendeu provisoriamente a pena, mas o MP recorreu e conseguiu reverter.
A ação cita ainda o período de inelegibilidade de Cunha pela cassação do seu mandato de deputado federal em setembro de 2016 — segundo o MPE, duraria até 2027.
Ação de partido
Além do MPE, deputados federais do PSOL acionaram a Justiça Eleitoral para tentar barrar a candidatura de Cunha. Glauber Braga (RJ), Sâmia Bonfim (SP) e Maria da Consolação Rocha (MG) ajuizaram uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, citando a Operação Transparência e a existência de supostos indícios de uso irregular de rádios para promover a candidatura do ex-deputado. Ao longo dos últimos anos, Cunha assumiu estações de rádio em Além Paraíba, Carangola, Raul Soares, Guarani e Uberaba. (As informações são do jornal O Globo)