Quarta-feira, 05 de agosto de 2026

Mulher do senador Weverton Rocha recebeu R$ 11 milhões de empresas ligadas a advogado alvo de operação do INSS

A investigação da Polícia Federal (PF) que deu origem à nova fase da Operação Sem Desconto aponta que a mulher do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Samya Rocha, recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz. A PF cumpriu, nessa terça-feira (4), mandados de busca e apreensão contra familiares do parlamentar e contra o advogado, após autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação está relacionada ao esquema de fraudes no INSS. Em nota, Tomaz afirmou que Samya Rocha é advogada do escritório e recebeu honorários pela atuação profissional.

Segundo a decisão, a apuração começou a partir de informações extraídas do celular de Weverton Rocha. A hipótese inicial investigada é a de corrupção passiva relacionada à atuação política do senador no contexto dos descontos associativos feitos de maneira irregular nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Ao aprofundar a análise, porém, a PF afirma ter identificado uma estrutura mais ampla de movimentação de recursos e patrimônio que, em tese, teria sido utilizada para ocultar valores.

De acordo com a investigação, Samya recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas vinculadas a Willer Tomaz. A representação também descreve transferências entre empresas, pagamentos em espécie, aquisição de bens em nome de terceiros e investimentos em imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais e empresas de radiodifusão.

Na decisão, André Mendonça resume a hipótese apresentada pela Polícia Federal de que Weverton exercia papel central na estrutura investigada. Segundo a representação, caberia ao senador formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar da aquisição de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais.

Já Willer Tomaz é apontado como o responsável por fornecer a estrutura financeira e patrimonial utilizada nas operações. Conforme a decisão, a Polícia Federal sustenta que a rede ligada ao advogado funcionaria como um “hub financeiro, patrimonial e logístico”, reunindo empresas, imóveis, aeronaves, operadores financeiros e outros ativos que estariam à disposição dos beneficiários investigados, entre eles Weverton Rocha.

A decisão cita um episódio em que Weverton Rocha cobrou um repasse de R$ 500 mil de uma operadora financeira do esquema. A mulher respondeu que verificaria a situação com Willer Tomaz e que a transferência entre empresas seria a forma mais rápida de concluir a operação. Horas depois, ela informou que o dinheiro havia sido depositado na conta de Samya.

Em nota, o advogado Willer Tomaz afirmou que a esposa do senador é advogada associada ao escritório e lá exerce atividade profissional regular há anos. “Os valores por ela recebidos ao longo desse período correspondem a honorários advocatícios decorrentes de sua efetiva atuação profissional, de origem inteiramente lícita, e serão devidamente comprovados perante as autoridades competentes, caso necessário”, pontuou.

Tomaz frisou que “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, e ressaltou que a operação “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público”.

“A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação”, disse.

Aquisição 

A investigação da PF apontou ainda que uma empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz comprou, por R$ 6 milhões, uma casa em Brasília que é apontada como residência de Weverton Rocha. Segundo a PF, o senador participou das tratativas para a aquisição do imóvel, que teve a compra formalizada em abril de 2023 por uma sociedade vinculada a Willer. A investigação apura se, apesar de estar registrada em nome da empresa ligada a Willer, a casa teria Weverton como verdadeiro dono. (Com informações do jornal O Globo)

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