Quarta-feira, 05 de agosto de 2026

Presidenciável Renan Santos defende o fim do foro privilegiado e reforma nos poderes do Supremo

Em sabatina promovida pelo G4 e por “O Antagonista” nessa terça-feira (4), em São Paulo, o candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, defendeu a fusão de municípios de baixa atividade econômica e a redução de poderes do STF como as mudanças mais importantes de seu programa de governo.

Renan propôs criar indicadores de desempenho para prefeitos, que ficariam inelegíveis por oito anos se não cumprissem metas, e receberiam mais emendas e recursos se cumprissem.

Para o candidato, essa é a reforma que “atinge diretamente o coração do Centrão” e a mudança mais importante, ainda que a menos popular, que pretende empreender caso eleito.

Também afirmou que pretende reduzir os poderes do Supremo Tribunal Federal por meio de uma PEC, com “compromisso público” das futuras indicações à Corte para acabar com o que chamou de “farra dos escritórios ligados a amigos do STF”.

Questionado logo na abertura sobre nunca ter administrado uma folha de pagamento relevante nem respondido por um orçamento público, ele rebateu dizendo já ter recuperado empresas endividadas antes de entrar para a política.

O candidato pelo Missão defendeu o Brasil como “portal” entre o Ocidente e o sul global, e citou as reservas brasileiras de terras raras e o potencial do país para sediar data centers como moedas de negociação tecnológica com Estados Unidos, China, União Europeia e Japão.

Questionado sobre incentivos fiscais, disse que cortaria “muito” incentivo, citando a Zona Franca de Manaus como exemplo do que não funciona, em contraste com os subsídios ao agronegócio, que considera bem-sucedidos.

Renan evitou cravar um voto no hipotético segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, repetindo que pretende estar na disputa, e classificou bolsonarismo e petismo como “duas faces da mesma moeda” por, na sua avaliação, oferecerem políticas eleitoreiras como o Pé de Meia e o vale-gás, no lugar de reformas.

Questionado sobre o que faria a “pessoa física Renan Santos” votar nele mesmo, ele apontou a experiência de ter tomado decisões duras que magoaram seu próprio grupo político, e aproveitou para criticar a elite política brasileira:

“Aqui no Brasil o poder é visto como uma forma de fruir, de atender aos prazeres mais baixos. O escândalo do Banco Master, por exemplo, era basicamente sobre dinheiro e prazer sexual. A elite política brasileira se baseia estritamente em dinheiro, troca de favores e prazer, inclusive sexual. A boa liderança tem que seguir outro caminho”, conta.

Diante de uma plateia de empresários, o candidato defendeu o uso de emendas parlamentares como instrumento de governabilidade e disse que “não é exatamente a coisa mais antissistema do mundo em falar”. Propôs “disciplinar o Congresso” ao vincular o aumento das emendas a cortes de despesa obrigatória. No entanto, disse que terá de “fazer concessões e coalizões amplas” ao entrar no poder:

“Existe até um conceito errado de que eu sou ‘cara antissistema’, como se eu fosse chegar em Brasília xingando todo mundo. Não é isso: vou ter que chegar e montar uma coalizão não só com o Congresso, mas com a sociedade civil.”

Sobre segurança pública, reafirmou o bordão de “prender ou matar”, usado por seu grupo. Segundo ele, quem se entrega deve ser preso; quem reage a uma abordagem policial armado assume o risco de morrer. “Não deve haver uma terceira alternativa”, explica.

Renan defendeu ainda um direito penal “voltado para a vítima”, em contraposição ao que descreveu como um foco excessivo em ressocialização, existente, segundo o candidato, desde a redemocratização. (Com informações do portal de notícias g1)

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