Domingo, 26 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de julho de 2026
A Nasa divulgou um mapa tridimensional do campo gravitacional da Terra baseado em observações de satélite. A representação chamou atenção por sua forma, menos simétrica do que normalmente se imagina. O gráfico representa o geoide, uma superfície equipotencial que descreve a forma que o nível médio do mar teria se as águas permanecessem completamente paradas, sem a influência das marés, ventos ou correntes marítimas. Em vez disso, leva em conta a massa de rochas, magma e água acumuladas profundamente sob a superfície.
No modelo, a altura do geoide foi exagerada 10 mil vezes para que as variações se tornem visíveis. Em escala real, as diferenças vão de 85 metros acima da superfície de referência, na Islândia, a 106 metros abaixo dela, no sul da Índia.
Nesse sentido, os especialistas esclareceram que o gráfico não constitui uma fotografia da aparência externa do planeta, mas sim uma ilustração que amplifica a escala vertical entre 7.000 e 10.000 vezes para tornar visíveis as pequenas diferenças na força de atração.
“Como a distribuição dos materiais nas profundezas da Terra varia, seu campo gravitacional tem colinas e vales”, explicou Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em uma pesquisa de 2020 sobre as propriedades do geoide.
Em áreas com maior concentração de massa, como a cordilheira dos Andes ou o Himalaia, a atração é maior e se reflete em tons vermelhos, enquanto setores de menor densidade, como o Oceano Índico ou a bacia do Rio Congo, são observados em azul.
Para produzir essa imagem, as equipes técnicas processaram mais de 1 bilhão de observações obtidas ao longo de 15 anos por 19 satélites. O modelo global do GOCO06 combinou dados coletados pela missão GOCE da Agência Espacial Europeia (ESA) e o programa GRACE, promovido pela agência dos EUA em conjunto com o Centro Aeroespacial Alemão.
“O campo gravitacional da Terra muda de mês para mês, principalmente devido à massa da água se movendo sobre a superfície”, explicou Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa na época.
A missão GRACE usou duas espaçonaves idênticas que voaram em sequência a 220 quilômetros de distância para medir flutuações micrômicas e registrar o deslocamento da água nos oceanos, chuvas e geleiras.
Além disso, o mapa mostrou que a altura do geoide registra variações que vão de um máximo de 85 metros na Islândia até um mínimo de 106 metros abaixo do nível médio no sul da Índia.
“É muito difícil medir quanta água está profundamente no solo e quanto muda de ano para ano”, disse Watkins. A ferramenta ajuda a analisar o ciclo hidrológico, a disponibilidade de água subterrânea para irrigação agrícola e o aumento marítimo de longo prazo.
Geoide
O geoide é definido como uma superfície equipotencial — ou seja, uma superfície em que o potencial gravitacional tem o mesmo valor em todos os pontos. Na prática, corresponde à forma que um oceano global em repouso assumiria se estivesse sujeito somente à gravidade, sem a interferência de marés, ventos e correntes.
As ondulações do modelo, portanto, não representam montanhas ou fossas do relevo, mas variações na atração gravitacional. Como a distribuição de massa no interior da Terra não é uniforme, a gravidade é mais intensa em algumas regiões do que em outras, o que eleva ou rebaixa a altura do geoide.
O geoide também tem função prática: é a superfície de referência usada para definir altitudes. As altitudes oficiais de um território, incluindo a noção de “nível do mar”, são medidas em relação a ele. (Com informações do jornal O Globo e do portal CNN Brasil)