Quarta-feira, 20 de maio de 2026

Novo programa do governo Desenrola para pessoas com o pagamento em dia, mas juros altos de parcelas, deve sair em junho

A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende concluir até o fim deste mês o desenho do programa de renegociação de dívidas para adimplentes. Será uma rodada adicional do novo Desenrola Brasil, desta vez voltada a pessoas com o pagamento de dívidas em dia, mas com juros muito altos. A previsão é lançar essa rodada ao longo de junho.

A versão 2026 do Desenrola foi anunciada pelo governo a cinco meses da eleição, em uma tentativa de reverter a queda na popularidade de Lula, que desde o início do ano cobrava de sua equipe ações para reduzir o endividamento das famílias. A leitura de integrantes do Planalto é que o alto índice de endividamento tem consumido o ganho que os brasileiros tiveram com a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. A isenção do IR era a principal aposta eleitoral de Lula para 2026, mas a medida não surtiu o efeito esperado.

No caso dos adimplentes, segundo informações do Valor Econômico, a ideia da área técnica é fazer uma renegociação mais segmentada, focando apenas nas dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e empréstimo pessoal, por exemplo. Financiamento imobiliário e outras linhas com juros menores não devem entrar na renegociação. Já débitos em dia do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) também podem entrar nessa rodada, a pedido de Lula.

O desenho da rodada adicional será finalizado até o fim de maio pela equipe econômica. Depois, será levado para validação do Palácio do Planalto, que pode solicitar alterações.

A equipe econômica ainda estuda qual será a forma de garantia para a dívida dos adimplentes, assim como as condições de renegociação, que envolvem desconto e taxa de juros menor. Uma possibilidade é utilizar como garantia a autorização de aporte de até R$ 5 bilhões do novo Desenrola no Fundo Garantidor de Operações (FGO). Esse aporte foi permitido pela Medida Provisória n 1.355/2026, que relançou o Desenrola Brasil para dívidas inadimplentes.

Segundo uma fonte, não será necessário utilizar esse aporte para as dívidas dos inadimplentes, porque os R$ 2 bilhões já existentes no FGO e os R$ 5 bilhões em recursos esquecidos nos bancos serão suficientes para atender à demanda dessa primeira fase do novo Desenrola. Isso porque a primeira versão do programa, lançada em 2023, consumiu cerca de R$ 1,8 bilhão do FGO. Para essa fase dos inadimplentes e das pequenas empresas, serão R$ 7 bilhões disponíveis, valor mais do que suficiente para bancar as garantias, calculam técnicos.

Com isso, no caso da dívida dos adimplentes, o governo deve utilizar ou a sobra da rodada dos inadimplentes ou o aporte de até R$ 5 bilhões permitido pela MP, mas em um valor menor. Técnicos calculam que a rodada dos adimplentes não deve exigir um valor alto de garantia, porque será mais bem segmentada, tanto em relação às dívidas que poderão ser abarcadas quanto em relação ao público-alvo.

O governo decidiu desenhar uma fase do Desenrola voltada a adimplentes para evitar que essas pessoas entrem na inadimplência, devido aos juros altos que vêm pressionando o orçamento das famílias. É uma forma de prevenir a necessidade de, no futuro, um novo programa de renegociação de dívidas, caso os atuais adimplentes venham a ficar inadimplentes, explica uma fonte da equipe econômica.

No início de maio, o governo lançou o novo Desenrola para dívidas inadimplentes com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O desenho permitiu que quem recebe até cinco salários mínimos por mês renegocie dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e dois anos. O desconto médio é de 65%, mas varia de 30% a 90%, a depender da dívida e do tempo de atraso. A taxa de juros máxima é de 1,99%.

Conforme mostrou o Valor, especialistas a associações setoriais apontam que o novo Desenrola é válido, mas dizem que o efeito é de curto prazo e há a possibilidade de se criar o chamado “risco moral”, quando o consumidor deixa de pagar a dívida renegociada porque imagina que, mais adiante, haverá outro programa com benefícios.

Uma novidade em relação a 2023 é que a renegociação é feita diretamente na plataforma do banco. Esse modelo mais simples tem permitido maior adesão, avalia o governo, já que a versão anterior envolvia um modelo de leilão. (Com informações do Valor Econômico)

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