Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de junho de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, informou que pretende solicitar ao governo dos Estados Unidos a suspensão, até depois das eleições, do processo que pode resultar na adoção de novas tarifas comerciais contra o Brasil. A manifestação deve ocorrer durante uma audiência pública online marcada para o dia 6 de julho, na qual o parlamentar se inscreveu para participar.
A presença de Flávio na audiência é vista por aliados como uma forma de demonstrar oposição à possibilidade de um novo tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros. O tema vem sendo explorado politicamente pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem criticado a possibilidade de medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Segundo o senador Rogerio Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o objetivo da participação será defender que o processo seja interrompido temporariamente, permitindo que uma negociação ocorra após o período eleitoral.
“Vamos pedir que seja suspenso o processo durante o período eleitoral, e depois as partes podem se sentar na mesa de uma forma séria e responsável, sem palavras de ordem, com quem tiver obtido legitimidade política no voto, durante um processo de transição”, afirmou Marinho.
O prazo estabelecido para uma decisão do governo do presidente Donald Trump sobre a possível aplicação das tarifas termina em 15 de julho. A medida vem sendo acompanhada por representantes brasileiros, que buscam evitar impactos comerciais entre os dois países.
Na avaliação de Marinho, a ausência de integrantes do governo brasileiro nas audiências relacionadas ao tema indicaria uma estratégia política do governo Lula. Segundo ele, o Executivo federal teria interesse em que as tarifas fossem efetivamente aplicadas para utilizar o episódio no debate eleitoral.
“É importante mostrar que a narrativa do PT é só isso, narrativa. Estão dispostos a tudo para vencer a eleição, permitir que haja imposição de tarifas, para que saiam dizendo que o Brasil foi prejudicado, que a família Bolsonaro contribuiu para isso”, declarou o coordenador da campanha de Flávio.
Para Marinho, a participação do governo brasileiro nas discussões seria necessária, já que o país seria diretamente afetado por uma eventual decisão dos Estados Unidos. Ele afirmou que o Executivo deveria estar presente nas audiências para apresentar seus argumentos e defender os interesses comerciais brasileiros.
“Ou houve deliberada omissão do governo, para poderem surfar no problema, ou o corpo diplomático brasileiro é um desastre ao não participar dessas audiências. Prefiro acreditar na primeira hipótese”, disse Marinho.
O Ministério das Relações Exteriores, por sua vez, informou que mantém diálogo com o governo norte-americano por meio dos canais diplomáticos tradicionais. Segundo o Itamaraty, as conversas têm como objetivo buscar uma solução e evitar a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros. (Com informações da coluna Painel/Folha de S.Paulo)