Sábado, 13 de junho de 2026

ONG denuncia os Estados Unidos por supostamente usar o futebol para prender imigrantes

Jogos de futebol nos Estados Unidos passaram a ser apontados como um dos principais alvos de ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), órgão responsável pela fiscalização migratória do país. A avaliação consta em relatório divulgado pela organização norte-americana Human Rights Soccer Alliance.

Segundo o documento, ao menos 17 pessoas ligadas a eventos de futebol – entre jogadores, treinadores e pais de atletas – foram detidas desde o início de 2025, período em que o governo do presidente Donald Trump intensificou operações de imigração em diversas regiões do país. Parte dos detidos teria sido deportada, de acordo com a entidade.

Nessa semana, a Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou que os Estados Unidos reconsiderem suas regras imigratórias para a Copa do Mundo 2026. O pedido ocorreu após o país negar vistos para o árbitro somali Omar Artan e para dirigentes de equipes.

“Espero sinceramente que haja uma profunda reflexão sobre como a aplicação das leis de imigração está impactando os direitos humanos e a dignidade humana, e que, especialmente para a Copa do Mundo, haja uma revisão das políticas que infelizmente temos visto prevalecer, principalmente nos EUA”, declarou Volker Turk, chefe dos Direitos Humanos da ONU.

A Human Rights Soccer Alliance afirma que eventos relacionados ao futebol se tornaram alvo frequente das autoridades migratórias por estarem fortemente ligados a comunidades de imigrantes, especialmente latino-americanos. Nos Estados Unidos, o futebol é tradicionalmente mais popular entre essas comunidades, enquanto grande parte da população local tem preferência por modalidades como o futebol americano, o basquete e o beisebol.

No relatório, divulgado na última semana, a organização demonstra preocupação com a possibilidade de que agentes do ICE utilizem partidas da Copa do Mundo de 2026 como oportunidade para realizar novas detenções.

“O futebol nos Estados Unidos está profundamente enraizado nas comunidades imigrantes. Por gerações, serviu como um espaço de pertencimento e expressão cultural. No entanto, as ações de fiscalização se estenderam a espaços centrais do futebol, incluindo escolas, parques, centros comunitários e instalações esportivas”, afirma o documento.

A entidade ressalta que não há qualquer proibição formal para que agentes do ICE realizem prisões em partidas da Copa do Mundo. Além disso, até o momento, nenhuma orientação oficial foi divulgada pelas autoridades federais para impedir operações migratórias em estádios ou em áreas próximas aos locais de competição.

Diante desse cenário, a Human Rights Soccer Alliance apresentou uma série de recomendações à Fifa. Entre elas, a organização pede que a entidade máxima do futebol mundial garanta a proibição de ações de fiscalização migratória em todos os estádios e áreas adjacentes aos eventos da Copa do Mundo.

O relatório também defende que a Fifa não compartilhe informações de torcedores com autoridades de imigração e que seleções, clubes e organizações esportivas evitem colaborar com agentes migratórios, salvo nos casos em que haja determinação judicial específica. (Com informações da g1)

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