Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de maio de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste em afirmar que o tempo joga a seu favor nas negociações por um acordo com o Irã. No entanto, a reação negativa de aliados republicanos no Congresso indica um cenário mais complexo para a Casa Branca.
Alvo de críticas e alertas de parlamentares conservadores de que estaria disposto a fazer concessões excessivas ao regime dos aiatolás, Trump reduziu, no domingo (24), o tom otimista demonstrado na noite anterior, quando afirmou que um consenso com a república islâmica estaria próximo.
O temor de senadores republicanos próximos ao presidente, como Lindsey Graham e Ted Cruz, é de que um eventual acordo permita ao Irã ampliar sua influência regional e fortalecer seu programa nuclear ao longo do tempo.
“Se um acordo for firmado para encerrar o conflito iraniano porque se acredita que o Estreito de Ormuz não pode ser protegido do terrorismo iraniano e que o Irã ainda possui capacidade de destruir importantes infraestruturas petrolíferas do Golfo, então o país será percebido como uma força dominante que exige uma solução diplomática”, afirmou Graham, considerado um dos principais defensores de uma linha dura contra Teerã.
Segundo informações divulgadas sobre as negociações conduzidas com mediação do Paquistão, o esboço do acordo prevê a ampliação do cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, reduzindo os impactos econômicos globais provocados pelo conflito. Em troca, haveria o compromisso de descongelamento gradual de ativos iranianos.
O alívio das sanções econômicas seria proporcional às medidas adotadas pelo Irã para restringir seu programa nuclear. O ponto central da resistência entre republicanos aliados de Trump é justamente a avaliação de que a prometida “rendição incondicional” da República Islâmica, defendida pelo presidente no início da guerra, não ocorreu.
Também não houve mudança de regime em Teerã nem a eliminação completa do programa nuclear iraniano, objetivos apresentados inicialmente pelos Estados Unidos e por Israel para justificar a campanha militar.
A guerra, que já dura quase 90 dias, ainda não produziu os resultados esperados pelos setores mais conservadores de Washington. Na prática, o acordo diplomático em discussão tenta alcançar, pela via política, concessões que a ofensiva militar não conseguiu impor ao Irã.
O colunista da CNN Stephen Collinson avaliou que qualquer compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares seria recebido com forte desconfiança em Washington.
Considerado um dos “falcões” do Partido Republicano, Ted Cruz antecipou nas redes sociais o teor das críticas ao possível acordo. “Se o resultado de tudo isso for um regime iraniano — ainda liderado por islamistas que gritam ‘morte à América’ — recebendo bilhões de dólares, sendo capaz de enriquecer urânio e desenvolver armas nucleares, além de manter controle efetivo sobre o Estreito de Ormuz, então esse resultado seria um erro desastroso”, escreveu o senador.
Diante da pressão crescente de aliados republicanos, Trump voltou a demonstrar cautela e sinalizou um possível recuo no discurso. O presidente afirmou que não costuma fechar “maus negócios” e recomendou aos negociadores americanos que evitem um acordo precipitado.
Além da resistência dentro do próprio partido, a forte rejeição da opinião pública americana à guerra com o Irã também aumenta as dúvidas sobre a capacidade de Trump sustentar uma posição mais agressiva no conflito.